Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2024
Em uma mulher de 44 anos, durante investigação de cólica biliar, foi realizada ultrassonografia achado incidental de uma lesão em adrenal esquerda. Ao realizar tomografia no protocolo de adrenal, observou-se tratar de um provável adenoma que, quando investigado, mostrou-se não ser produtor hormonal. O seu diâmetro é de 1,5cm. Qual a conduta recomendada?
Incidentaloma adrenal < 4cm, não funcionante, benigno → conduta conservadora com acompanhamento.
Incidentalomas adrenais não funcionantes e com características radiológicas benignas, especialmente aqueles com diâmetro inferior a 4 cm, geralmente requerem apenas acompanhamento conservador com exames de imagem e reavaliação hormonal periódica, sem necessidade de intervenção cirúrgica imediata.
Incidentalomas adrenais são massas adrenais descobertas acidentalmente em exames de imagem realizados por outras razões. A prevalência aumenta com a idade, sendo encontrados em até 10% da população em estudos de autópsia. A principal preocupação ao identificar um incidentaloma é determinar se ele é maligno ou funcional (produtor de hormônios), pois a maioria é benigna e não funcional, como o adenoma. A avaliação inicial de um incidentaloma adrenal envolve duas etapas cruciais: a avaliação da funcionalidade hormonal e a avaliação do potencial de malignidade. A funcionalidade é investigada com testes para descartar síndrome de Cushing subclínica, feocromocitoma e hiperaldosteronismo primário. A malignidade é avaliada por características radiológicas (densidade, washout, heterogeneidade) e pelo tamanho da lesão. Lesões com diâmetro inferior a 4 cm e características radiológicas benignas, como densidade baixa na tomografia sem contraste (<10 UH), são altamente sugestivas de adenoma benigno. No caso apresentado, a lesão de 1,5 cm, não funcionante e provável adenoma, se enquadra nos critérios para conduta conservadora. Isso geralmente envolve acompanhamento com nova imagem em 6-12 meses para verificar crescimento e reavaliação hormonal periódica. A ressecção cirúrgica é reservada para lesões funcionantes, suspeitas de malignidade ou com tamanho > 4-6 cm. Para residentes, é fundamental dominar esse algoritmo de decisão para evitar cirurgias desnecessárias e garantir o manejo adequado dos pacientes.
A cirurgia é geralmente indicada para incidentalomas adrenais funcionantes (produtores de hormônios), lesões com características radiológicas suspeitas de malignidade ou aquelas com diâmetro superior a 4-6 cm, mesmo que não funcionantes, devido ao maior risco de malignidade.
A investigação hormonal padrão inclui a pesquisa de hipercortisolismo (teste de supressão com dexametasona 1mg), feocromocitoma (metanefrinas plasmáticas ou urinárias) e hiperaldosteronismo primário (relação aldosterona/renina plasmática), especialmente em pacientes hipertensos.
Para adenomas não funcionantes com diâmetro < 4 cm e características benignas na imagem, o acompanhamento consiste em nova imagem (TC ou RM) em 6-12 meses para avaliar crescimento e reavaliação hormonal anual por 4-5 anos para descartar funcionalidade tardia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo