UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2016
Um trabalho realizado em 2014 no Espírito Santo que avaliou todos os pacientes portadores de Doença Inflamatória Intestinal (DII) que receberam medicação pela Farmácia Cidadã Estadual, observou que 1484 pacientes estavam recebendo a medicação. A média de idade dos pacientes com Doença de Crohn (DC) foi de 38,01 anos (± 15,9 anos) e na Retocolite Ulcerativa (RCU) a média de idade foi de 44,18 anos (± 15,9 anos), com p= 0,025. Quando avaliado o uso de Mesalazina na terapêutica da DII observou-se que esta medicação foi usada por 65% dos pacientes com RCU e 58% daqueles com DC, com a Razão de Chance (Oldd Ratio -OD) de 1,18, com Intervalo de Confiança (IC) de 0,89 - 1,32. Considerando que no censo populacional do ano de 2014, a população do Espírito Santo foi de 3.885.049 pessoas e que todos os pacientes com DII estão representados nesta amostra, observe as afirmativas abaixo e depois responda. I - A incidência de DII no Espírito Santo foi de 38,2/100.000 habitantes; II - A diferença de média de idade entre DC e RCU apresentou significância estatística; III - A Razão de Chance do uso de Mesalazina na RCU não apresentou significância estatística.
Incidência = novos casos; prevalência = casos existentes. p < 0,05 indica significância. IC que inclui 1,0 para OR/RR indica não significância.
A afirmativa I está incorreta porque o número de pacientes (1484) representa casos existentes (prevalência), não novos casos (incidência). A afirmativa II está correta, pois p=0,025 (<0,05) indica significância estatística na diferença de idade. A afirmativa III está correta, pois o IC da Odds Ratio (0,89-1,32) inclui 1,0, indicando que a associação não é estatisticamente significativa.
A interpretação correta de dados epidemiológicos e estatísticos é uma habilidade fundamental para qualquer médico, especialmente para residentes que precisam avaliar a literatura científica e aplicar evidências na prática clínica. Questões envolvendo conceitos como incidência, prevalência, significância estatística e intervalos de confiança são comuns em provas e essenciais para a compreensão de estudos de saúde pública e clínica. A distinção entre incidência e prevalência é básica: incidência mede a taxa de novos casos de uma doença em uma população em risco durante um período específico, enquanto prevalência mede a proporção de indivíduos em uma população que têm uma doença em um determinado momento. No caso da questão, o número de pacientes "recebendo medicação" representa casos existentes, ou seja, prevalência, e não incidência. A significância estatística, frequentemente avaliada pelo valor p, indica a probabilidade de os resultados observados ocorrerem por acaso. Um p < 0,05 geralmente sugere que a diferença ou associação não é devido ao acaso. O Intervalo de Confiança (IC) fornece uma estimativa da precisão de um resultado e, para medidas de associação como a Razão de Chance (Odds Ratio), se o IC inclui o valor 1,0, a associação não é considerada estatisticamente significativa, pois não se pode excluir a possibilidade de que não haja efeito. Dominar esses conceitos permite ao residente uma análise crítica e embasada das informações médicas.
Incidência refere-se ao número de novos casos de uma doença em uma população específica durante um período de tempo. Prevalência refere-se ao número total de casos existentes (novos e antigos) de uma doença em uma população em um determinado momento.
O valor p indica a probabilidade de observar um resultado tão extremo quanto o obtido, assumindo que a hipótese nula é verdadeira. Geralmente, um p < 0,05 é considerado estatisticamente significativo, rejeitando a hipótese nula.
Se o Intervalo de Confiança para uma Razão de Chance (ou Risco Relativo) inclui o valor 1,0, isso significa que a associação observada não é estatisticamente significativa. Não se pode descartar a possibilidade de que não haja diferença ou associação real entre os grupos.
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