Imunotrombocitopenia Pediátrica: Manejo e Conduta

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Criança de 4 anos, feminino, previamente hígida com quadro de epistaxe há um dia e sem outras queixas. Nega uso de medicamentos, traumatismo craniano ou doenças hematológicas na família. Mora em sítio longe do hospital. Ao exame físico está em bom estado geral, corada, hidratada, anictérica, acianótica, afebril, eupneica e normocárdica. Sangramento nasal ativo. Restante do exame físico sem particularidades. O hemograma normal exceto pela plaquetopenia de 8.000/mm³ e esfregaço de sangue periférico com plaquetas maiores. Diante do quadro, assinale a alternativa com a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Internar e iniciar imediatamente terapia com imunoglobulina.
  2. B) Internar, iniciar dexametasona associada a imunoglobulina e preparar para esplenectomia.
  3. C) Orientar observação domiciliar e retorno em 24 horas para repetir o hemograma.
  4. D) Internar, observar e avaliar a possibilidade de corticoterapia.

Pérola Clínica

PTI em criança com plaquetas <10.000/mm³ e sangramento leve → internação, observação e considerar corticoide.

Resumo-Chave

Em crianças com PTI e plaquetopenia grave (<10.000/mm³) mas sem sangramento grave, a conduta inicial é observação hospitalar. A corticoterapia é uma opção de primeira linha, mas não é sempre iniciada imediatamente, dependendo da gravidade do sangramento e risco.

Contexto Educacional

A imunotrombocitopenia (PTI), anteriormente conhecida como púrpura trombocitopênica idiopática, é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas e/ou produção plaquetária insuficiente. Em crianças, a PTI aguda é frequentemente precedida por uma infecção viral e geralmente tem um curso autolimitado. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos contra glicoproteínas da superfície plaquetária, levando à fagocitose das plaquetas por macrófagos esplênicos. O diagnóstico é de exclusão, baseado em plaquetopenia isolada (<100.000/mm³) em um paciente com exame físico normal, exceto por manifestações hemorrágicas. O tratamento na PTI pediátrica depende da gravidade do sangramento e da contagem plaquetária. Em casos de plaquetopenia grave (<10.000/mm³) sem sangramento significativo, a observação é uma opção, mas a corticoterapia pode ser considerada. Para sangramentos graves, imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou corticosteroides são as opções de primeira linha. A maioria das crianças com PTI aguda se recupera espontaneamente em 6 meses.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar tratamento na PTI pediátrica?

O tratamento na PTI pediátrica é indicado principalmente pela presença de sangramento clinicamente significativo, independentemente da contagem plaquetária, ou por plaquetopenia muito grave (<10.000-20.000/mm³) com risco de sangramento.

Qual a primeira linha de tratamento para PTI em crianças?

A primeira linha de tratamento para PTI em crianças com sangramento significativo ou plaquetopenia grave inclui corticosteroides (prednisona ou dexametasona) ou imunoglobulina intravenosa (IVIG).

Quando a esplenectomia é considerada na PTI pediátrica?

A esplenectomia é uma opção de segunda ou terceira linha, reservada para crianças com PTI crônica (duração >12 meses) que são refratárias a outras terapias e apresentam sangramento grave ou risco de vida.

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