Manejo de Exposição à Varicela em Pacientes com LLA

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Menina com cinco anos de idade, acometida de leucemia linfoide aguda (LLA), internada em enfermaria pediátrica, está sendo submetida à quimioterapia para tratamento da leucemia. Em outra ala da enfermaria, uma criança apresentou febre e desenvolveu lesões eritemato bolhosas sugestivas de varicela. Nesse contexto, a conduta ideal a ser tomada em relação a criança com leucemia é:

Alternativas

  1. A) Administrar vacina contra varicela
  2. B) Aplicar imunoglobulina específica anti-varicela.
  3. C) Administrar aciclovir por 10 dias.
  4. D) Administrar a vacina contra varicela e o aciclovir por 10 dias
  5. E) Administrar a vacina contra varicela e imunoglobulina específica.

Pérola Clínica

Imunossuprimido + contato com varicela = Imunoglobulina específica (VZIG) em até 10 dias.

Resumo-Chave

Pacientes imunossuprimidos, como crianças com LLA em quimioterapia, não podem receber vacinas de vírus vivos e devem receber imunização passiva (VZIG) após exposição à varicela.

Contexto Educacional

A varicela em pacientes imunocomprometidos é uma emergência médica devido ao alto risco de complicações viscerais, como hepatite, pneumonite e coagulação intravascular disseminada. O vírus Varicela-Zoster (VZV) tem tropismo por diversos órgãos e, na ausência de uma resposta de células T eficaz, a replicação viral é desenfreada. O protocolo de profilaxia pós-exposição visa fornecer anticorpos prontos para neutralizar o vírus antes que ele atinja a fase de viremia secundária. Além da VZIG, se o paciente desenvolver lesões, o tratamento com Aciclovir ou Valaciclovir intravenoso deve ser iniciado imediatamente. A educação da equipe de enfermagem e dos familiares sobre o isolamento respiratório e de contato de casos suspeitos em enfermarias oncológicas é a medida preventiva mais eficaz.

Perguntas Frequentes

Por que a vacina da varicela é contraindicada na LLA em tratamento?

A vacina contra varicela é composta por vírus vivos atenuados (cepa Oka). Em pacientes com imunossupressão grave, como na Leucemia Linfoide Aguda (LLA) sob quimioterapia, o sistema imune não consegue conter a replicação do vírus vacinal, o que pode levar a uma infecção disseminada grave, pneumonia ou encefalite pelo próprio vírus da vacina. A vacinação só é considerada em casos específicos de remissão prolongada e com contagem de linfócitos adequada, seguindo protocolos rígidos de oncologia pediátrica.

Qual o prazo ideal para administrar a VZIG após a exposição?

A Imunoglobulina Específica contra Varicela-Zoster (VZIG) deve ser administrada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 96 horas após o contato. No entanto, diretrizes atuais (como as do CDC e do Ministério da Saúde) estendem esse prazo para até 10 dias após a exposição. O objetivo é prevenir a doença ou atenuar sua gravidade. Se a VZIG não estiver disponível após 96 horas, alguns especialistas consideram o uso de aciclovir profilático, embora a evidência para profilaxia antiviral seja menos robusta que a da imunoglobulina.

O que define um 'contato significativo' para indicação de profilaxia?

Para imunossuprimidos, o contato significativo inclui: 1) Contato domiciliar contínuo; 2) Contato face a face em ambiente fechado por mais de 1 hora; 3) Estar na mesma enfermaria ou quarto de hospital por tempo prolongado. Como a varicela é transmitida por aerossóis e contato direto com as lesões, o risco de transmissão em ambientes fechados é altíssimo (taxa de ataque secundário superior a 80%). Nesses casos, a profilaxia passiva é mandatória independentemente da história prévia de doença se a imunossupressão for profunda.

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