SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
A partir da década de 60, começaram a surgir na literatura os primeiros dados sobre os mecanismos responsáveis pela proteção anti-infecciosa conferida pelo aleitamento materno. Sobre a imunobiologia do leite humano, analise as assertivas abaixo: I. A principal ação dos anticorpos secretores da classe IgA (imunoglobulina A) é ligar-se a microrganismos e macromoléculas, impedindo a sua aderência às superfícies mucosas, prevenindo, assim, o contato do patógeno com o epitélio. II. A imunoglobulina M não está presente no leite materno. III. Estão presentes as defensinas - peptídeos pequenos, catiônicos e com ação antimicrobiana. Quais estão corretas?
sIgA = Principal anticorpo do leite materno; impede adesão de patógenos à mucosa do lactente.
O leite materno fornece proteção imunológica ativa e passiva através de anticorpos (IgA, IgM, IgG) e peptídeos antimicrobianos como as defensinas.
O leite materno é um fluido biológico complexo que vai além da nutrição. Ele contém componentes celulares (macrófagos, linfócitos) e solúveis (anticorpos, lactoferrina, lisozima, oligossacarídeos e defensinas). A sIgA é produzida por plasmócitos na glândula mamária que migraram do tecido linfoide associado ao intestino da mãe (eixo entero-mamário), garantindo que o bebê receba anticorpos específicos contra os patógenos presentes no ambiente compartilhado com a mãe.
A IgA secretória (sIgA) é a imunoglobulina mais abundante no leite humano. Sua principal função é a proteção das mucosas do lactente (trato gastrointestinal e respiratório) através de um mecanismo chamado 'exclusão imune'. Ela se liga a bactérias, vírus e parasitas, impedindo que esses patógenos se liguem às células epiteliais do bebê. Além disso, a sIgA é resistente à degradação pelas enzimas digestivas, mantendo sua funcionalidade ao longo do trato digestivo.
Sim. Embora a IgA represente cerca de 90% das imunoglobulinas no leite, a IgM e a IgG também estão presentes. A IgM atua na aglutinação de bactérias e ativação do sistema complemento, enquanto a IgG auxilia na opsonização e neutralização de toxinas. A concentração dessas proteínas é máxima no colostro e diminui gradualmente no leite maduro, mas a proteção imunológica persiste durante todo o período de amamentação.
As defensinas são pequenos peptídeos catiônicos que fazem parte do sistema imune inato. Elas possuem atividade antimicrobiana de amplo espectro contra bactérias, fungos e alguns vírus envelopados. No leite materno, as defensinas (como a beta-defensina 2) ajudam a modular a microbiota intestinal do lactente e fortalecem a barreira epitelial, protegendo contra infecções entéricas e auxiliando no desenvolvimento do sistema imune do bebê.
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