SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Uma gestante de 9 semanas e 5 dias, datada pela última menstruação, procura atendimento por apresentar sangramento vaginal em pequena quantidade, há dois dias, associado à dor em região hipogástrica de intensidade moderada. Ao exame físico, sangue, em pequena quantidade, coletado em fundo de saco vaginal, sem sangramento ativo, dor intensa no toque vaginal, com colo impérvio. Abdome plano, flácido, dor à palpação de fossa ilíaca direita. Os sinais vitais são: PA: 100x60 mmHg, FC 80 bpm, stO₂ 98%. Tendo em vista esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Caso a paciente tenha fator RH negativo, é necessário prescrever a imunoglobulina anti-RH.
Gestante Rh- com sangramento na gestação → Imunoglobulina Anti-D para prevenir aloimunização.
Qualquer episódio de sangramento vaginal em gestante Rh negativa não sensibilizada exige a administração de imunoglobulina anti-D para evitar a formação de anticorpos que podem causar doença hemolítica em gestações futuras.
A aloimunização Rh ocorre quando uma gestante Rh negativa é exposta a eritrócitos Rh positivos (geralmente do feto), levando à produção de anticorpos anti-D. Em gestações subsequentes com fetos Rh positivos, esses anticorpos IgG atravessam a placenta e causam hemólise fetal, podendo levar à hidropisia e morte fetal. O sangramento vaginal no primeiro trimestre é um momento crítico de potencial exposição sanguínea feto-materna. A administração da imunoglobulina anti-D atua limpando as hemácias fetais da circulação materna antes que o sistema imune as reconheça. No caso clínico apresentado, a paciente apresenta sinais de ameaça de abortamento ou abortamento em curso (sangramento e dor). Sendo ela Rh negativa, a conduta mandatória é a profilaxia para garantir a segurança de futuras gestações.
A imunoglobulina anti-D deve ser administrada a todas as gestantes Rh negativas não sensibilizadas (Coombs indireto negativo) que apresentem sangramento vaginal (ameaça de aborto, abortamento completo ou incompleto), gravidez ectópica ou mola hidatiforme, idealmente dentro de 72 horas do evento.
Deve-se verificar a tipagem sanguínea materna (Rh negativo) e o status de sensibilização (Coombs indireto negativo). Se o parceiro (pai biológico) for comprovadamente Rh negativo, a profilaxia pode ser dispensada, mas na dúvida sobre a paternidade ou tipagem do parceiro, a imunoglobulina deve ser aplicada.
Em eventos do primeiro trimestre (até 12-13 semanas), uma dose de 50 a 150 mcg costuma ser suficiente, embora a dose padrão de 300 mcg seja frequentemente utilizada e segura. Após o primeiro trimestre, a dose padrão é de 300 mcg.
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