UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021
Pediatra encaminhou um lactente de 12 meses ao imunologista pediátrico para investigar uma possível imunodeficiência primária do tipo humoral. O paciente apresenta desde os seis meses otites de repetição (5 episódios), sendo três episódios com supuração. Não apresenta alteração no seu desenvolvimento neuropsicomotor e no crescimento pôndero-estatural. O pediatra está correto em seu encaminhamento?
Otites de repetição em lactentes, especialmente com supuração, sugerem imunodeficiência humoral, justificando investigação.
Infecções bacterianas recorrentes, como otites supurativas, são um forte indicativo de imunodeficiência humoral em lactentes. Embora a hipogamaglobulinemia fisiológica exista, a frequência e gravidade das infecções justificam a investigação por um especialista.
As imunodeficiências primárias (IDP) são um grupo heterogêneo de doenças genéticas que afetam um ou mais componentes do sistema imunológico, resultando em maior suscetibilidade a infecções, autoimunidade e malignidade. A suspeita precoce é fundamental para o diagnóstico e manejo adequados, prevenindo morbidade e mortalidade significativas. As IDP humorais, que afetam a produção de anticorpos, são as mais comuns, representando cerca de 50-60% de todos os casos. A fisiopatologia das IDP humorais envolve defeitos na diferenciação de linfócitos B, na produção de imunoglobulinas ou na função dos anticorpos. As manifestações clínicas típicas são infecções bacterianas recorrentes, especialmente do trato respiratório superior e inferior (otites, sinusites, pneumonias) e gastrointestinal. A presença de otites de repetição, particularmente com supuração, em um lactente de 12 meses, mesmo com desenvolvimento neuropsicomotor e crescimento normais, é um forte indicativo de falha na resposta imune humoral e justifica o encaminhamento ao imunologista. Embora a hipogamaglobulinemia fisiológica da infância seja um fenômeno normal, caracterizado pela queda dos anticorpos maternos e maturação gradual do sistema imune do lactente, a frequência e a gravidade das infecções descritas no caso (5 otites, 3 com supuração) extrapolam o que seria esperado para uma condição fisiológica. A investigação por um especialista permitirá a dosagem de imunoglobulinas séricas (IgG, IgA, IgM) e a avaliação da resposta vacinal, confirmando ou excluindo uma IDP humoral e orientando a conduta terapêutica, que pode incluir reposição de imunoglobulina.
Os sinais incluem infecções graves, incomuns ou de repetição (mais de 4 otites/ano, 2 pneumonias/ano), falha de crescimento, abscessos recorrentes, diarreia crônica, infecções por germes oportunistas e história familiar de imunodeficiência.
É uma queda transitória nos níveis de IgG que ocorre entre 3 e 6 meses de idade, quando os anticorpos maternos diminuem e a produção própria do bebê ainda é imatura. Geralmente se resolve até os 12-18 meses, mas pode persistir até os 2 anos.
As imunodeficiências humorais afetam a produção de anticorpos, que são cruciais para combater bactérias encapsuladas, como as que frequentemente causam otites (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae). A supuração indica falha na resolução da infecção.
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