USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Pré-escolar, sexo masculino, 2 anos e 6 meses de idade, está em consulta ambulatorial de rotina em UBS. Mãe conta que, neste último ano, desde que a criança entrou na creche, ficou gripada praticamente todo mês. Nos últimos 6 meses, a mãe refere que a criança precisou usar antibiótico cinco vezes (uma internação em UTI por pneumonia, três otites médias agudas e uma celulite em membro inferior direito). A mãe trouxe a radiografia de tórax realizada durante a internação em UTI:Além dessa internação, ocorreram outras duas, ambas em enfermaria: diarreia com desidratação grave aos 7 meses; celulite periorbitária secundária à sinusite bacteriana aos 2 anos de idade.Apresenta vacinação em dia seguindo o programa nacional de imunizações. Aceita bem todos os tipos de alimento, exceto carne. Recebeu vitamina A e D profiláticas até os 2 anos de idade, mas nunca recebeu sulfato ferroso profilático, porque não gostava do gosto e sempre cuspia a medicação.O peso e a estatura atuais são idênticos aos de seis meses atrás, quando realizou a última consulta de puericultura.As curvas antropométricas estão representadas abaixo: Qual é a conduta prioritária na consulta atual com base no diagnóstico mais provável?
Infecções graves/recorrentes + falha de crescimento → Investigar imunodeficiência primária.
Um padrão de infecções graves e recorrentes (pneumonia, otite, celulite, diarreia grave) em uma criança, especialmente com falha de crescimento, é um forte indicativo de imunodeficiência primária e requer investigação imediata com exames específicos e encaminhamento a um imunologista.
A suspeita de imunodeficiência primária em crianças é um desafio diagnóstico importante na pediatria. Embora infecções sejam comuns na faixa etária pré-escolar, especialmente com a entrada na creche, um padrão de infecções graves, recorrentes e que demandam hospitalização ou múltiplos ciclos de antibióticos deve levantar um alerta. O caso clínico apresenta múltiplos sinais de alarme: pneumonia grave com internação em UTI, otites médias agudas de repetição, celulite recorrente, diarreia com desidratação grave e, crucialmente, falha de crescimento (peso e estatura estagnados). A investigação de imunodeficiência primária é prioritária nesses casos. O hemograma completo pode revelar alterações nas linhagens de células imunes, enquanto a dosagem de imunoglobulinas séricas (IgG, IgA, IgM) e do complemento são exames de triagem fundamentais para identificar deficiências humorais ou do sistema complemento. A sorologia para sarampo, em uma criança vacinada, pode avaliar a capacidade de resposta imune a vacinas, indicando uma possível deficiência de anticorpos. O encaminhamento precoce a um imunologista pediátrico é essencial para um diagnóstico preciso e um plano de manejo adequado, que pode incluir terapia de reposição de imunoglobulinas, profilaxia antimicrobiana e outras intervenções específicas. Ignorar esses sinais e atribuí-los apenas a fatores ambientais ou nutricionais pode atrasar o diagnóstico e levar a complicações graves e irreversíveis para a criança.
Sinais de alerta incluem infecções graves ou recorrentes (pneumonias, otites, sinusites, celulites), infecções por germes oportunistas, falha de crescimento, diarreia crônica, e história familiar de imunodeficiência.
Exames iniciais incluem hemograma completo com contagem diferencial, dosagem de imunoglobulinas séricas (IgG, IgA, IgM), e avaliação do sistema complemento.
O encaminhamento é indicado diante de infecções graves, atípicas ou recorrentes, falha de crescimento, ou resultados alterados nos exames de triagem imunológica, para investigação e manejo especializado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo