Imunodeficiência Pediátrica: Investigação de Infecções Recorrentes

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 6 anos, tem parotidite bilateral reicidivante, linfonodomegalia cervical em mais de uma cadeia, sem melhora após uso de antibioticoterapia, diarriea crônica febre intermitente e história de múltiplas infecções respiratórias desde 2 anos de vida. Sobre o caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) o paciente deve ser investigado para causas de imunodeficiência congênita e adquirida, com hemograma, dosagem de imunoglobulinas séricas, Rx de tórax, complemento hemolítico total e teste rápido para HIV;
  2. B) o paciente deve ser investigado com hemograma, provas de doença inflamatória e biópsia de linfonodo, já que neoplasia hematológica é a principal hipótese;
  3. C) a investigação de infecção pelo virus do HIV neste paciente deve ser feita com 2 exames de carga viral, uma vez que a detecção de anticorpos anti-HIV pode corresponder a a anticorpos maternos;
  4. D) a hipótese de infecção pelo HIV por transmissão vertical é pouco provável nesse caso já que 70 a 80 % das crianças infectadas por essa via de transmissão adoecem e morrem no 1º ano de vida;
  5. E) independentemente da doença de base, o tratamento da parotidite recidivante e da diarreia devem ser feitos com antibioticoterapia especifica.

Pérola Clínica

Criança com infecções recorrentes, parotidite recidivante, linfonodomegalia e diarreia crônica → investigar imunodeficiência (congênita/adquirida, incluindo HIV).

Resumo-Chave

Uma criança com infecções respiratórias recorrentes, parotidite bilateral recidivante, linfonodomegalia persistente e diarreia crônica apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de imunodeficiência. A investigação deve ser abrangente, incluindo tanto causas congênitas quanto adquiridas, com destaque para o HIV, que pode se manifestar com esses sintomas em crianças.

Contexto Educacional

O quadro clínico de uma criança de 6 anos com parotidite bilateral recidivante, linfonodomegalia cervical persistente, diarreia crônica, febre intermitente e múltiplas infecções respiratórias desde os 2 anos de vida é altamente sugestivo de uma imunodeficiência. Essa condição pode ser congênita (primária) ou adquirida (secundária). A investigação é crucial para um diagnóstico precoce e manejo adequado, sendo um tema relevante para a pediatria e infectologia. A investigação de imunodeficiência deve ser abrangente. O hemograma pode revelar alterações nas linhagens celulares, como linfopenia ou neutropenia. A dosagem de imunoglobulinas séricas (IgG, IgA, IgM) é fundamental para identificar deficiências de anticorpos. O complemento hemolítico total (CH50) avalia a via clássica do sistema complemento. A radiografia de tórax pode mostrar alterações pulmonares relacionadas a infecções recorrentes ou, em crianças pequenas, a ausência de sombra tímica, sugerindo imunodeficiência celular. Considerando a idade da criança e o histórico de infecções desde os 2 anos, a imunodeficiência adquirida, como a infecção pelo HIV, deve ser fortemente considerada. Embora a maioria das crianças infectadas por transmissão vertical adoeça no primeiro ano de vida, uma parcela pode ter progressão mais lenta da doença. Em crianças com mais de 18 meses, o teste rápido para HIV é um método diagnóstico confiável, pois os anticorpos maternos já teriam desaparecido. A detecção precoce do HIV é vital para iniciar a terapia antirretroviral e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para imunodeficiência em crianças?

Sinais de alerta incluem infecções recorrentes ou graves (pneumonia, otite, sinusite), infecções por germes oportunistas, falha de crescimento, diarreia crônica, linfonodomegalia persistente, parotidite recidivante e história familiar de imunodeficiência.

Quais exames iniciais devem ser solicitados na suspeita de imunodeficiência pediátrica?

A investigação inicial deve incluir hemograma completo com contagem diferencial, dosagem de imunoglobulinas séricas (IgG, IgA, IgM), radiografia de tórax (para avaliar timo), complemento hemolítico total (CH50) e teste rápido para HIV.

Como o HIV é diagnosticado em crianças, especialmente naquelas com suspeita de transmissão vertical?

Em crianças menores de 18 meses, o diagnóstico de HIV por transmissão vertical é feito pela detecção do DNA ou RNA viral (carga viral), pois os anticorpos maternos podem persistir. Em crianças maiores de 18 meses, testes sorológicos (teste rápido, ELISA) são confiáveis, seguidos de confirmação.

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