UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023
Lactente, 1 ano e 5 meses, apresenta, desde os 7 meses de vida, otites de repetição (5 episódios, sendo três episódios com supuração). Seu crescimento pôndero-estatural é normal, mas o pediatra encaminha para o imunologista por suspeita de imunodeficiência primária do tipo celular. Esse encaminhamento se justifica?
Otites de repetição em lactente → suspeita de imunodeficiência humoral, não celular.
Infecções bacterianas recorrentes, especialmente otites e pneumonias, são marcadores clássicos de deficiências de anticorpos (imunodeficiências humorais). A imunodeficiência celular geralmente se manifesta com infecções oportunistas, fúngicas ou virais graves.
As imunodeficiências primárias (IDPs) são um grupo heterogêneo de doenças genéticas que afetam um ou mais componentes do sistema imunológico, resultando em maior suscetibilidade a infecções, doenças autoimunes e malignidades. A suspeita clínica é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado, impactando significativamente a morbimortalidade. A epidemiologia varia conforme o tipo de IDP, mas a prevalência geral é estimada em 1:10.000 nascidos vivos. O diagnóstico de IDP baseia-se na história clínica detalhada, exame físico e exames laboratoriais específicos. Infecções bacterianas recorrentes, como otites médias agudas e pneumonias, são características de imunodeficiências humorais (deficiências de anticorpos), que são as mais comuns. Em contraste, infecções virais graves, fúngicas ou oportunistas sugerem imunodeficiências celulares. O crescimento pôndero-estatural normal no caso apresentado não exclui IDP, pois nem todas as formas afetam o desenvolvimento. O tratamento das IDPs varia amplamente, mas pode incluir terapia de reposição de imunoglobulinas para deficiências humorais, profilaxia antimicrobiana, transplante de medula óssea ou terapia gênica para casos selecionados. O encaminhamento ao imunologista é fundamental para a investigação diagnóstica, que pode envolver dosagem de imunoglobulinas (IgG, IgA, IgM), avaliação de subclasses de IgG, resposta vacinal e, se necessário, testes de função de linfócitos T e B.
Sinais incluem infecções recorrentes, graves ou incomuns, falha de crescimento, diarreia crônica, doenças autoimunes e história familiar de imunodeficiência.
Imunodeficiências humorais causam infecções bacterianas recorrentes (otites, pneumonias, sinusites), enquanto as celulares levam a infecções virais graves, fúngicas e oportunistas.
A hipogamaglobulinemia fisiológica é comum até os 6-9 meses de idade, mas pode persistir até os 2 anos. No entanto, infecções bacterianas graves ou recorrentes fora desse período ou com gravidade desproporcional justificam investigação.
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