UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2023
Paciente, lactente, de 15 meses, iniciou com episódios de otite de repetição desde os 6 meses. Sendo 5 episódios, desses, 3 com supuração. Seu crescimento pondero-estrutural está normal. O médico assistente decide mandar para o imunologista por suspeita de imunodeficiência primária do tipo celular. A conduta foi CORRETA?
Otite de repetição em lactente → suspeitar imunodeficiência humoral, não celular.
Infecções bacterianas de repetição, como otites e sinusites, especialmente com supuração, são características de imunodeficiências humorais (deficiência de anticorpos). Imunodeficiências celulares geralmente se manifestam com infecções virais, fúngicas ou oportunistas graves. A hipogamaglobulinemia fisiológica é comum, mas otites supurativas recorrentes em >6 meses justificam investigação.
As imunodeficiências primárias (IDP) são um grupo heterogêneo de doenças genéticas que afetam o sistema imunológico, tornando os indivíduos mais suscetíveis a infecções. O reconhecimento precoce é crucial para um manejo adequado e para evitar sequelas. A otite média aguda de repetição é uma das manifestações mais comuns que levam à suspeita de IDP em crianças, especialmente quando há supuração ou falha terapêutica. A fisiopatologia das IDP varia amplamente. No caso de infecções bacterianas de repetição, como as otites supurativas, a principal suspeita recai sobre as imunodeficiências humorais, que envolvem deficiências na produção de anticorpos (imunoglobulinas). Diferentemente, as imunodeficiências celulares, que afetam os linfócitos T, geralmente se manifestam com infecções virais, fúngicas ou oportunistas graves. Embora a hipogamaglobulinemia fisiológica seja comum em lactentes até os dois anos, otites supurativas recorrentes após os seis meses de vida, como no caso, justificam a investigação imunológica. A conduta de encaminhar ao imunologista é correta, mas a suspeita deve ser direcionada para uma imunodeficiência humoral. O diagnóstico envolve a dosagem de imunoglobulinas (IgG, IgA, IgM), avaliação da resposta vacinal e, se necessário, testes mais específicos. O tratamento pode incluir reposição de imunoglobulinas, antibioticoprofilaxia e manejo das infecções agudas, visando melhorar a qualidade de vida e prevenir danos orgânicos.
Sinais de alerta incluem infecções graves ou de repetição (mais de 8 otites/ano, 2 pneumonias/ano), infecções por germes incomuns, falha de crescimento, abscessos cutâneos ou de órgãos, e história familiar de imunodeficiência.
Imunodeficiências humorais (deficiência de anticorpos) tipicamente causam infecções bacterianas encapsuladas de repetição (otites, sinusites, pneumonias). Imunodeficiências celulares (linfócitos T) levam a infecções virais graves, fúngicas e oportunistas, além de falha de crescimento.
A hipogamaglobulinemia fisiológica é uma queda transitória dos níveis de IgG que ocorre em lactentes entre 3 e 6 meses de idade, quando os anticorpos maternos diminuem e a produção própria ainda é imatura. Geralmente não causa infecções graves, mas pode predispor a infecções leves.
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