Imunodeficiência Comum Variável: Sinais e Diagnóstico em Adultos

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Mulher 30 anos refere infecções recorrentes de vias aéreas superiores há 4 anos. Relata ter coriza nasal frequente, espessa e amarelada, e com frequência lhe é prescrito antibioticoterapia. Há um ano, vem apresentando perda de peso e diarreia crônica. Ao exame, peso 50 kg, IMC 18, com linfoadenopatia cervical indolor. Você solicitou sorologia para HIV e seu resultado é negativo. Qual a hipótese diagnóstica mais provável para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Deficiência do fator C4
  2. B) Imunodeficiência comum variável
  3. C) Lúpus eritematoso sistêmico
  4. D) Granulomatose de Wegener
  5. E) Neutropenia cíclica

Pérola Clínica

Infecções sinopulmonares recorrentes + diarreia crônica + linfoadenopatia + HIV negativo = Imunodeficiência Comum Variável (ICV).

Resumo-Chave

A Imunodeficiência Comum Variável (ICV) é uma imunodeficiência primária caracterizada por níveis séricos baixos de IgG, IgA e/ou IgM, levando a infecções recorrentes (especialmente sinopulmonares), diarreia crônica, malabsorção e linfoadenopatia. O diagnóstico é de exclusão, após afastar causas secundárias de hipogamaglobulinemia, como HIV.

Contexto Educacional

A Imunodeficiência Comum Variável (ICV) é a imunodeficiência primária sintomática mais comum em adultos, caracterizada por um defeito na diferenciação de linfócitos B, resultando em hipogamaglobulinemia e comprometimento da produção de anticorpos específicos. A epidemiologia mostra uma apresentação bimodal, com picos na infância e entre 20-50 anos. A importância clínica reside na alta morbidade e mortalidade associadas a infecções recorrentes e complicações não infecciosas, como doenças autoimunes, linfoproliferação e malignidades. A fisiopatologia da ICV é heterogênea, envolvendo defeitos genéticos em vias de sinalização de linfócitos B e T. Os pacientes tipicamente apresentam infecções bacterianas recorrentes, principalmente de vias aéreas superiores e inferiores (sinusites, otites, pneumonias), mas também podem ter infecções gastrointestinais (diarreia crônica, malabsorção, giardíase) e cutâneas. Achados como linfoadenopatia, esplenomegalia e doenças autoimunes (anemia hemolítica, púrpura trombocitopênica) são comuns. O diagnóstico é de exclusão, exigindo a dosagem de imunoglobulinas séricas (IgG, IgA, IgM), avaliação da resposta vacinal e exclusão de causas secundárias de hipogamaglobulinemia, como infecção por HIV, mieloma múltiplo ou uso de medicamentos imunossupressores. O tratamento da ICV baseia-se na reposição de imunoglobulina por via intravenosa (IGIV) ou subcutânea (IGSC) para manter níveis protetores de IgG e reduzir a frequência e gravidade das infecções. O prognóstico varia, mas o diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para melhorar a qualidade de vida e reduzir as complicações. Residentes devem estar atentos a pacientes com histórico de infecções recorrentes e sintomas sistêmicos, mesmo na ausência de um histórico familiar claro de imunodeficiência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Imunodeficiência Comum Variável (ICV)?

Os critérios incluem infecções recorrentes (especialmente bacterianas sinopulmonares), níveis séricos significativamente reduzidos de IgG e IgA (e/ou IgM) por pelo menos 1 ano, falha na resposta a vacinas e exclusão de outras causas de hipogamaglobulinemia, como HIV ou perdas proteicas.

Por que a diarreia crônica é um sintoma comum na ICV?

A diarreia crônica na ICV é frequentemente causada por enteropatia, que pode ser inflamatória ou infecciosa (por exemplo, por Giardia lamblia ou outros patógenos oportunistas), e leva à malabsorção e perda de peso. A deficiência de IgA nas mucosas contribui para essa vulnerabilidade gastrointestinal.

Qual o tratamento principal para a Imunodeficiência Comum Variável?

O tratamento principal é a reposição de imunoglobulina (IGIV ou IGSC) para prevenir infecções. Além disso, o manejo inclui antibioticoterapia para infecções agudas, tratamento de complicações autoimunes e acompanhamento das manifestações gastrointestinais e pulmonares.

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