Imunodeficiência Comum Variável: Diagnóstico em Adultos

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 38 anos de idade refere quadros de infecções de vias aéreas superiores recorrentes há cinco anos. Está sempre com secreção nasal espessa amarelada e utiliza antibióticos frequentemente. Nos últimos dois anos também apresentou duas pneumonias documentadas e tratadas com antibióticos. Há seis meses com diarreia crônica, tendo perdido sete quilos. Ao exame clínico apresenta-se emagrecida e com linfoadenopatia cervical indolor. Traz consigo sorologia para o vírus HIV que é negativa. Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Doença Granulomatosa Crônica.
  2. B) Neutropenia cíclica de início tardio.
  3. C) Imunodeficiência Comum Variável.
  4. D) Deficiência do fator C4.

Pérola Clínica

Adulto com infecções recorrentes, diarreia crônica e HIV negativo → suspeitar de Imunodeficiência Comum Variável (CVID).

Resumo-Chave

A Imunodeficiência Comum Variável (CVID) é uma imunodeficiência primária caracterizada por níveis baixos de imunoglobulinas (IgG, IgA e/ou IgM) e falha na produção de anticorpos específicos, levando a infecções recorrentes, principalmente respiratórias e gastrointestinais, e manifestações autoimunes ou linfoproliferativas.

Contexto Educacional

A Imunodeficiência Comum Variável (CVID) é a imunodeficiência primária sintomática mais prevalente em adultos, caracterizada por uma falha na diferenciação de linfócitos B em plasmócitos, resultando em hipogamaglobulinemia e produção deficiente de anticorpos. O quadro clínico é heterogêneo, mas tipicamente envolve infecções bacterianas recorrentes, principalmente do trato respiratório (sinusites, otites, pneumonias) e gastrointestinal (diarreia crônica, giardíase). A suspeita diagnóstica surge em pacientes com histórico de infecções recorrentes, especialmente se acompanhadas de manifestações não infecciosas como linfoadenopatia, esplenomegalia, doenças autoimunes (ex: púrpura trombocitopênica imune, anemia hemolítica autoimune) ou doenças linfoproliferativas. A exclusão de causas secundárias de hipogamaglobulinemia, como infecção por HIV, mieloma múltiplo ou uso de certos medicamentos, é crucial. O diagnóstico definitivo requer a demonstração de níveis séricos reduzidos de IgG e IgA (e, em alguns casos, IgM), juntamente com uma resposta inadequada à vacinação (falha na produção de anticorpos específicos). O tratamento consiste na reposição de imunoglobulinas intravenosas ou subcutâneas para prevenir infecções, além do manejo das complicações associadas. É um diagnóstico importante para o residente, pois a CVID pode ter um curso insidioso e ser subdiagnosticada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Imunodeficiência Comum Variável (CVID)?

Os sintomas incluem infecções bacterianas recorrentes (especialmente respiratórias), diarreia crônica, má absorção, linfoadenopatia, esplenomegalia e maior risco de doenças autoimunes e malignidades.

Como é feito o diagnóstico de CVID?

O diagnóstico de CVID é baseado em níveis séricos reduzidos de IgG e IgA (e/ou IgM), falha na produção de anticorpos específicos após vacinação e exclusão de causas secundárias de hipogamaglobulinemia, como infecção por HIV.

Por que a diarreia crônica é comum na CVID?

A diarreia crônica na CVID pode ser causada por infecções entéricas recorrentes (ex: Giardia), enteropatia inflamatória, má absorção ou supercrescimento bacteriano, refletindo a deficiência imunológica da mucosa intestinal.

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