USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2017
Você está trabalhando como médico de uma Unidade de Saúde da Família e tem sob seus cuidados uma família composta por 5 indivíduos, a saber: o pai, a mãe e 3 filhos. Você então recebe uma contrarreferência do médico de um hospital terciário da região informando-lhe que um dos filhos do casal, um garoto de 5 anos, está com leucemia linfóide aguda, necessitando urgentemente de quimioterapia imunossupressora. O colega lhe pede então que atualize as vacinas dos outros membros da família, que estão saudáveis, para proteger a criança com leucemia, valendo-se de uma estratégia do tipo "imunidade de rebanho". Você procede exatamente como solicitado, recomendando vacinação contra difteria/tétano/pertussis acelular, sarampo/caxumba/rubéola, varicela, influenza e hepatite B para os membros da família. Porém, você alerta ao colega hematologista que ainda assim a criança com leucemia não estará protegida contra pelo menos 2 doenças imunopreveníveis. Assinale dentre as abaixo, a alternativa que contém as doenças para as quais a criança não estará protegida pela estratégia proposta:
Imunidade de rebanho não protege contra tétano (não é transmissão pessoa-a-pessoa).
A imunidade de rebanho é eficaz para doenças transmitidas de pessoa para pessoa, reduzindo a circulação do patógeno e protegendo indiretamente os imunossuprimidos. No entanto, para doenças como o tétano, que não são transmitidas entre indivíduos, a vacinação dos contatos não confere proteção à criança imunossuprimida, que permanece vulnerável à exposição ambiental.
A imunidade de rebanho é uma estratégia crucial em saúde pública, especialmente para proteger indivíduos vulneráveis, como crianças com leucemia em quimioterapia imunossupressora. Ao vacinar os contatos próximos desses pacientes, reduz-se a circulação de patógenos na comunidade, diminuindo a probabilidade de exposição e infecção do indivíduo imunocomprometido. Esta estratégia é eficaz para doenças de transmissão pessoa-a-pessoa, como sarampo, caxumba, rubéola, varicela, influenza e coqueluche (pertussis), onde a vacinação dos familiares cria uma barreira protetora. No entanto, é fundamental reconhecer que a imunidade de rebanho não se aplica a todas as doenças imunopreveníveis. O tétano, por exemplo, é uma doença causada pela toxina do Clostridium tetani, uma bactéria presente no ambiente (solo, fezes). A infecção ocorre por meio de ferimentos contaminados e não há transmissão de pessoa para pessoa. Consequentemente, a vacinação dos familiares contra o tétano protege os próprios vacinados, mas não confere imunidade de rebanho para a criança imunossuprimida, que permanece suscetível à exposição ambiental. Embora a difteria seja uma doença de transmissão pessoa-a-pessoa e a vacinação dos contatos contribua para a imunidade de rebanho, a proteção de um paciente gravemente imunossuprimido pode não ser absoluta. A questão destaca o tétano como o exemplo mais claro de doença para a qual a imunidade de rebanho não oferece proteção. Para a difteria, embora a circulação da bactéria seja reduzida, a vulnerabilidade do paciente pode exigir outras medidas de proteção. É essencial que os profissionais de saúde compreendam essas nuances para orientar adequadamente as famílias e garantir a máxima proteção aos pacientes imunossuprimidos.
A imunidade de rebanho ocorre quando uma grande parte da população está vacinada, dificultando a circulação de um patógeno e, consequentemente, protegendo indiretamente indivíduos não vacinados ou imunossuprimidos que não podem desenvolver sua própria imunidade ativa.
O tétano é causado por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium tetani, que vive no solo e em fezes de animais. A infecção ocorre por contato com ferimentos contaminados, e não há transmissão de pessoa para pessoa. Portanto, a vacinação de contatos não impede a exposição ambiental da criança imunossuprimida ao patógeno.
Familiares devem estar com as vacinas em dia, especialmente contra doenças de transmissão respiratória como sarampo, caxumba, rubéola, varicela, influenza e coqueluche (pertussis), para reduzir o risco de exposição da criança imunossuprimida. Vacinas como hepatite B e difteria também são importantes para a saúde geral da família e para reduzir reservatórios.
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