Tuberculose: Fisiopatologia, Diagnóstico e Tratamento

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015

Enunciado

Assinale V (Verdadeiro) ou F (Falso), nas afirmativas seguintes. (  ) No mecanismo fisiopatológico, a imunidade celular adquirida é caracterizada pela produção de interleucina-2 e interferon-gama pelo linfócito T sensibilizado. (  ) O exame considerado padrão ouro para o diagnóstico é a baciloscopia no escarro, enquanto o principal mecanismo de reativação de um foco primário é a infecção pelo HIV. (  ) A pirazinamida é a droga que possui o maior poder esterilizante da lesão tuberculosa, porém é considerada a mais hepatotóxica do esquema básico. (  ) A viragem tuberculínica corresponde ao aumento do teste tuberculínico (PPD) igual ou maior que 10 mm em relação a um teste tuberculínico anterior, sendo indicativo de infecção recente pelo Mycobacterium tuberculosis. (  ) A única droga do esquema básico que não precisa de ajuste de dose na insuficiência renal é a isoniazida. A sequência correta é:

Alternativas

  1. A) V, V, V, V, F.
  2. B) V, F, V, V, F.
  3. C) V, F, V, V, V.
  4. D) F, F, V, V, F.
  5. E) F, F, V, V, V.

Pérola Clínica

TB: Imunidade celular (IL-2, IFN-γ) é V. Baciloscopia não é padrão ouro (cultura é), HIV reativação é V. Pirazinamida esterilizante e hepatotóxica é V. Viragem PPD ≥ 10mm é V. Isoniazida precisa ajuste renal é F (RMP, PZA, EMB precisam).

Resumo-Chave

A imunidade celular na TB envolve linfócitos T produzindo IL-2 e IFN-γ. O padrão ouro diagnóstico é a cultura, não a baciloscopia. A reativação por HIV é crucial. Pirazinamida é potente esterilizante e hepatotóxica. Viragem tuberculínica é aumento de PPD ≥ 10mm. A Isoniazida *precisa* de ajuste de dose na insuficiência renal grave, assim como Rifampicina, Pirazinamida e Etambutol.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis, com grande impacto na saúde pública. A imunidade celular desempenha um papel central na sua fisiopatologia, com linfócitos T sensibilizados produzindo citocinas como interleucina-2 (IL-2) e interferon-gama (IFN-γ) para ativar macrófagos e conter a infecção. A compreensão desses mecanismos é vital para entender a patogênese e o desenvolvimento de vacinas e terapias. O diagnóstico da TB envolve uma combinação de achados clínicos, radiológicos e laboratoriais. Embora a baciloscopia do escarro seja um exame rápido e importante para identificar casos bacilíferos, o padrão ouro para o diagnóstico é a cultura de micobactérias, que oferece maior sensibilidade e permite o teste de sensibilidade aos antimicrobianos. A infecção pelo HIV é o principal fator de risco para a reativação da TB latente, devido à imunossupressão que compromete a resposta imune celular. A viragem tuberculínica, definida como um aumento significativo (geralmente ≥ 10 mm) no PPD em relação a um teste anterior, indica infecção recente. O tratamento da TB é complexo e prolongado, utilizando um esquema básico com Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol. A Pirazinamida é reconhecida por seu alto poder esterilizante em lesões ácidas, mas também é a droga mais hepatotóxica do esquema. É crucial que os residentes saibam que a maioria dos tuberculostáticos, incluindo Isoniazida, Rifampicina, Pirazinamida e Etambutol, requer ajuste de dose em pacientes com insuficiência renal grave para evitar toxicidade, sendo um erro comum pensar que a Isoniazida não precisa de ajuste.

Perguntas Frequentes

Qual é o padrão ouro para o diagnóstico de tuberculose e qual a importância da baciloscopia?

O padrão ouro para o diagnóstico de tuberculose é a cultura de micobactérias, que permite identificar a espécie e realizar o teste de sensibilidade. A baciloscopia do escarro é um exame rápido, de baixo custo e fundamental para o diagnóstico inicial de casos bacilíferos e monitoramento do tratamento, mas não é o padrão ouro.

Como a infecção pelo HIV influencia a reativação da tuberculose?

A infecção pelo HIV é o principal fator de risco para a reativação da tuberculose latente, devido à imunossupressão progressiva que compromete a imunidade celular, essencial para conter o Mycobacterium tuberculosis. Isso aumenta significativamente o risco de desenvolver a doença ativa.

Quais drogas do esquema básico da tuberculose precisam de ajuste de dose na insuficiência renal?

A maioria das drogas do esquema básico precisa de ajuste de dose na insuficiência renal grave. Rifampicina, Pirazinamida e Etambutol requerem ajuste. A Isoniazida também necessita de ajuste em casos de insuficiência renal grave, embora em menor grau que as outras.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo