CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Sobre os implantes de drenagem para tratamento do glaucoma, é correto afirmar:
Óleo de silicone flutua → Posicionar implante de drenagem no quadrante inferior para evitar obstrução.
Em olhos com óleo de silicone, o implante deve ser inferior porque o silicone (menos denso que o humor aquoso) tende a ocluir tubos posicionados superiormente.
Os implantes de drenagem são indicados principalmente em casos de glaucoma refratário, onde a trabeculectomia (TREC) apresenta alto risco de falha, como em glaucomas neovasculares, uveíticos, pós-transplante de córnea ou após falha de TREC prévia. Diferente da TREC, onde a mitomicina C (MMC) é fundamental para o sucesso da fístula, o uso de antimetabólitos nos implantes de drenagem ainda é controverso e não é considerado padrão-ouro para aumentar a taxa de sucesso, pois a resistência ao fluxo ocorre principalmente na cápsula fibrosa que se forma ao redor do prato, e não no sítio cirúrgico limiar. O manejo clínico exige vigilância rigorosa do posicionamento do tubo e da saúde do endotélio corneano.
Os implantes valvulados, como o de Ahmed, possuem um mecanismo de restrição de fluxo que abre apenas quando a pressão intraocular (PIO) atinge um certo limiar (geralmente 8-12 mmHg), reduzindo o risco de hipotonia imediata. Já os não valvulados (Baerveldt, Molteno) são tubos abertos que requerem ligadura temporária (sutura de ripcord ou técnica de ligadura externa) para permitir a fibrose do prato antes de liberar o fluxo, evitando hipotonia precoce.
O óleo de silicone tem densidade menor que a do humor aquoso, o que o faz flutuar e se acumular na parte superior da câmara anterior ou cavidade vítrea. Se o tubo de drenagem estiver posicionado nos quadrantes superiores (posição padrão), o óleo de silicone pode entrar no lúmen do tubo e bloqueá-lo completamente, anulando o efeito da cirurgia. O posicionamento inferior mantém o óstio do tubo mergulhado no aquoso.
A perda de células endoteliais é uma preocupação constante, especialmente se o tubo estiver muito anterior ou tocar a córnea. Outras complicações incluem a erosão da conjuntiva sobre o tubo, diplopia (por efeito de massa do prato nos músculos extraoculares) e a formação de uma cápsula fibrótica excessivamente espessa ao redor do prato, o que limita a redução da PIO.
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