Impetigo na Infância: Diagnóstico e Conduta Terapêutica

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 4 anos de idade, levado ao pronto-socorro por lesão de pele há 4 dias, com febre hoje. Os pais referem que as lesões se iniciaram na perna, após uma picada de inseto, e que progrediram para fossa cubital e para a face. Ao exame clínico, o paciente encontra-se em bom estado geral, corado, hidratado, ativo, sem linfonodos palpáveis. Exame cardiovascular e respiratório sem alterações. Na pele, lesões em face, região de naso, em fossas cubitais bilaterais e em região genital, de base eritematosa, com crosta amarelada, como na figura a seguir: De acordo com o caso, assinale a alternativa com a conduta correta:

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia por 7 a 10 dias, com cobertura sistêmica e tópica para Streptococcus do grupo A e Staphylococcus aureus; higiene local.
  2. B) Iniciar aciclovir sistêmico por 10 dias para tratamento de Herpes simplex, corticoide tópico e analgesia.
  3. C) Iniciar valaciclovir por 2 dias para tratamento de varicela zoster, corticoide tópico e analgesia.
  4. D) Suporte clínico com hidratação oral, se possível; analgesia tópica e sistêmica, orientar os pais sobre sinais de alarme e evolução da doença.

Pérola Clínica

Lesão com crosta melicérica em face ou extremidades = Impetigo (Staph aureus/Strep pyogenes).

Resumo-Chave

O impetigo é uma infecção superficial da pele altamente contagiosa, frequentemente secundária a traumas mínimos (como picadas), exigindo higiene e antibioticoterapia para evitar disseminação.

Contexto Educacional

As piodermites são causas frequentes de consulta em pronto-socorro pediátrico. O impetigo crostoso inicia-se frequentemente em áreas de solução de continuidade da pele. O manejo envolve a remoção gentil das crostas com compressas úmidas e a aplicação de mupirocina tópica em casos localizados. Em casos extensos ou com sintomas sistêmicos (febre), a cobertura oral para gram-positivos é mandatória para garantir a resolução clínica e evitar a disseminação linfonodal ou sistêmica.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar impetigo bolhoso de não bolhoso?

O impetigo não bolhoso (crostoso) é o mais comum, caracterizado por pequenas vesículas que rompem rapidamente formando crostas melicéricas (cor de mel) sobre base eritematosa, geralmente causadas por S. aureus ou S. pyogenes. O impetigo bolhoso é causado exclusivamente por cepas de S. aureus produtoras de toxina esfoliativa, resultando em bolhas flácidas que deixam uma base erosiva colarete após romperem.

Quando indicar antibiótico sistêmico no impetigo?

A terapia sistêmica é indicada quando há múltiplas lesões, lesões em diferentes áreas anatômicas (como no caso clínico: face, fossas cubitais e genitália), surtos em coletividades ou quando o tratamento tópico é impraticável. Antibióticos como cefalexina ou amoxicilina com clavulanato são escolhas comuns para cobrir tanto Staphylococcus aureus quanto Streptococcus do grupo A.

Quais as complicações possíveis do impetigo estreptocócico?

A complicação não supurativa mais importante é a Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNPE), que pode ocorrer após infecções cutâneas por cepas nefritogênicas de S. pyogenes. Diferente da faringite, o tratamento precoce do impetigo não previne comprovadamente a GNPE, mas é essencial para interromper a cadeia de transmissão e prevenir complicações supurativas locais como celulite.

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