MedEvo Simulado — Prova 2026
Um escolar de 6 anos de idade é levado à consulta pediátrica devido ao surgimento de lesões cutâneas localizadas ao redor do nariz e da boca, iniciadas há cerca de 5 dias. A mãe relata que o quadro começou com pequenas "bolinhas de água" que estouraram rapidamente, dando lugar a crostas amareladas e espessas. O paciente não apresenta febre ou outras queixas sistêmicas, mantém bom estado geral e está com o calendário vacinal atualizado. Ao exame físico, observa-se a presença de múltiplas crostas melicéricas (cor de mel) sobre base eritematosa nas regiões perinasal e perioral, sem sinais de celulite perilesional ou linfonodomegalia regional importante. Foram registrados os seguintes dados na triagem: | Parâmetro | Resultado | Valor de Referência | | :--- | :---: | :---: | | Temperatura Axilar | 36,7 °C | 36,0 - 37,2 °C | | Frequência Cardíaca | 92 bpm | 70 - 110 bpm | | Frequência Respiratória | 20 irpm | 18 - 25 irpm | | Proteína C-Reativa (PCR) | 1,8 mg/L | < 5,0 mg/L | O diagnóstico mais provável é:
Crostas melicéricas (cor de mel) em face = Impetigo não bolhoso.
O impetigo não bolhoso é uma infecção superficial da epiderme caracterizada por vesículas que evoluem para crostas melicéricas, com excelente resposta à terapia tópica em lesões localizadas.
O impetigo é a piodermite mais comum na infância, ocorrendo principalmente em climas quentes e úmidos. A forma não bolhosa representa cerca de 70% dos casos. A patogênese envolve a colonização da pele por bactérias piogênicas após pequenas rupturas na barreira cutânea (picadas de insetos, escoriações ou dermatite atópica). Clinicamente, inicia-se como pequenas pápulas ou vesículas sobre base eritematosa que se rompem rapidamente, liberando um exsudato que desseca formando as crostas melicéricas patognomônicas. O diagnóstico é clínico e o tratamento visa a cura das lesões e a interrupção da cadeia de transmissão, sendo a higiene local e o uso de antibióticos tópicos (como mupirocina ou ácido fusídico) os pilares para casos localizados.
Atualmente, o Staphylococcus aureus é o patógeno mais frequentemente isolado tanto no impetigo bolhoso quanto no não bolhoso. O Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A) também é um agente importante, podendo atuar isoladamente ou em coinfecção com o S. aureus.
O tratamento sistêmico (geralmente com cefalexina ou amoxicilina + clavulanato) é indicado em casos de lesões muito extensas, múltiplas áreas afetadas, surtos em creches/famílias, presença de sintomas sistêmicos (como febre) ou quando não há resposta ao tratamento tópico inicial.
A complicação não supurativa mais importante é a Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNPE). É fundamental notar que o tratamento antibiótico do impetigo previne a transmissão da bactéria e complicações supurativas, mas não há evidências de que previna a ocorrência da GNPE.
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