FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Uma criança de seis anos de idade, previamente hígida, apresentou lesões na face e nos membros inferiores, as quais se iniciaram como máculas eritematosas, evoluindo rapidamente para vesículas e pústulas, o que formou uma crosta melicérica com halo eritematoso havia já três dias. Negou-se febre, e o estado geral do paciente manteve-se bom. Com base nesse caso clínico hipotético e considerando a hipótese diagnóstica adequada, é correto afirmar que:
Crosta melicérica em criança hígida = Impetigo. Tratamento de escolha: Mupirocina ou Ácido Fusídico tópico.
O impetigo não bolhoso é causado principalmente por S. aureus. Lesões localizadas respondem bem à antibioticoterapia tópica, sem necessidade de sistêmicos.
O impetigo é a infecção bacteriana superficial da pele mais comum na infância, caracterizando-se por ser altamente contagiosa. A forma não bolhosa, ou crostosa, inicia-se com pequenas vesículas que rompem rapidamente, liberando um exsudato que seca e forma as clássicas crostas melicéricas (cor de mel). O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na morfologia das lesões e na ausência de sintomas sistêmicos importantes. A fisiopatologia envolve a quebra da barreira cutânea e a colonização por S. aureus ou S. pyogenes. O manejo foca na higiene local e na aplicação de antibióticos tópicos de amplo espectro, como a mupirocina, que inibe a síntese proteica bacteriana. A educação dos pais sobre a lavagem das mãos e o não compartilhamento de toalhas é vital para o controle da disseminação.
Historicamente, o Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A) era considerado o principal agente, mas estudos contemporâneos mostram que o Staphylococcus aureus é hoje o patógeno mais frequentemente isolado tanto no impetigo bolhoso quanto no não bolhoso (crostoso). Em muitos casos, pode haver uma coinfecção por ambos os microrganismos. A compreensão dessa mudança epidemiológica é crucial para a escolha de antibióticos que cubram adequadamente o S. aureus, incluindo cepas produtoras de betalactamase.
O tratamento sistêmico (oral) é reservado para casos de impetigo disseminado (múltiplas lesões em diferentes áreas do corpo), surtos em coletividades, lesões muito extensas que dificultam a aplicação tópica ou quando há sinais de comprometimento sistêmico, como febre e linfadenopatia. Nesses casos, utilizam-se cefalosporinas de primeira geração (cefalexina) ou penicilinas resistentes à penicilinase (dicloxacilina). Para casos localizados, a terapia tópica com mupirocina ou ácido fusídico é igualmente eficaz e apresenta menos efeitos colaterais.
Sim. O impetigo causado por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes pode levar à Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica. É importante ressaltar que, ao contrário da febre reumática (que é prevenida pelo tratamento da faringite), o tratamento antibiótico do impetigo não previne comprovadamente a ocorrência da GNDA. No entanto, o tratamento é fundamental para interromper a cadeia de transmissão e acelerar a cura das lesões cutâneas.
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