HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020
Pré-escolar, 3 anos de idade, previamente hígido, trazido pelo pai ao pronto-socorro com história, há 7 dias, de lesão em face, aumentando de tamanho há 2 dias. Nega febre e qualquer sintoma sistêmico. Ao exame clínico: lesões eritemato crostosas (crostas melicéricas) não dolorosas, em região de naso e perilabial (figura reproduzida a seguir), em tronco e membros inferiores, próximo a marcas de coçadura. Pai não sabe referir se houve porta de entrada. Restante do exame clínico sem alterações. Assinale a alternativa correta em relação ao diagnóstico e agentes etiológicos.
Crostas melicéricas (cor de mel) em face de crianças → Impetigo (S. aureus ou S. pyogenes).
O impetigo é a infecção bacteriana superficial da pele mais comum na pediatria, caracterizada por lesões crostosas altamente contagiosas, geralmente sem sintomas sistêmicos.
O impetigo é uma piodermite superficial extremamente comum em pré-escolares, especialmente em climas quentes e úmidos. A forma não bolhosa, descrita no caso, inicia-se frequentemente após pequenos traumas cutâneos (como coçadura), servindo de porta de entrada para a colonização bacteriana. A característica patognomônica é a crosta melicérica, resultante do exsudato seroso que desseca sobre a epiderme. Embora seja uma condição benigna e autolimitada na maioria das vezes, o diagnóstico correto é crucial para evitar a disseminação comunitária e prevenir complicações raras, como a glomerulonefrite difusa aguda (GNDA) pós-estreptocócica. O manejo envolve higiene local e uso de antibióticos, sendo a escolha entre tópico ou sistêmico dependente da extensão das lesões.
Os principais agentes etiológicos do impetigo (tanto bolhoso quanto não bolhoso) são o Staphylococcus aureus e o Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Atualmente, o S. aureus é o patógeno isolado com maior frequência.
O impetigo não bolhoso (70% dos casos) apresenta pápulas que evoluem para vesículas e depois para as clássicas crostas melicéricas. O impetigo bolhoso é causado por toxinas esfoliativas do S. aureus, formando bolhas flácidas que se rompem deixando uma base eritematosa verniz.
Para lesões localizadas, o tratamento é tópico com mupirocina ou retapamulina. Em casos de lesões disseminadas, múltiplas ou em surtos escolares, indica-se antibioticoterapia sistêmica (ex: cefalexina) para cobrir S. aureus e S. pyogenes.
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