Impetigo em Crianças: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020

Enunciado

Pré-escolar, 3 anos de idade, previamente hígido, trazido pelo pai ao pronto-socorro com história, há 7 dias, de lesão em face, aumentando de tamanho há 2 dias. Nega febre e qualquer sintoma sistêmico. Ao exame clínico: lesões eritemato crostosas (crostas melicéricas) não dolorosas, em região de naso e perilabial (figura reproduzida a seguir), em tronco e membros inferiores, próximo a marcas de coçadura. Pai não sabe referir se houve porta de entrada. Restante do exame clínico sem alterações. O tratamento da lesão que acomete o pré-escolar deve ser: 

Alternativas

  1. A) "Tratamento sistêmico para infecção secundária com cefalexina de 1a geração e suporte clínico. Isolamento de contato."
  2. B) Aciclovir 400mg via oral, três vezes ao dia por 7 a 10 dias, e aciclovir tópico por 7 dias.
  3. C) Tratamento parenteral com antibioticoterapia por 7 a 10 dias e tratamento tópico com limpeza e corticoide de baixa intensidade.
  4. D) Celafexina 50 mg/kg/dia em três doses, via oral, por 7 dias, e mupirocina tópica 3 vezes ao dia, nas lesões por 5 dias e em narinas, unhas das mãos, umbigo e região perineal por 3 semanas, para descolonização.
  5. E) Aciclovir 800mg via oral 5 vezes ao dia, por 7 dias. Solicitar enzimas hepáticas antes e depois de realizar tratamento.

Pérola Clínica

Impetigo crostoso em pré-escolar → cefalexina oral para lesões extensas e mupirocina tópica para lesões e descolonização.

Resumo-Chave

O quadro de lesões eritemato-crostosas com crostas melicéricas, especialmente em áreas de coçadura, é clássico de impetigo não bolhoso. Os agentes mais comuns são Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. Em casos de lesões múltiplas ou extensas, o tratamento sistêmico com cefalexina (um beta-lactâmico oral) é indicado, associado à mupirocina tópica para as lesões e para descolonização de portadores.

Contexto Educacional

O impetigo é uma infecção bacteriana superficial da pele, altamente contagiosa, comum em crianças pré-escolares e escolares. Existem duas formas principais: o impetigo não bolhoso (ou crostoso), que é o mais comum, e o impetigo bolhoso. O caso descrito, com lesões eritemato-crostosas e crostas melicéricas, é clássico de impetigo não bolhoso, geralmente causado por Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes. A infecção frequentemente ocorre em locais de trauma cutâneo prévio, como picadas de insetos ou escoriações, facilitando a entrada das bactérias. O diagnóstico do impetigo é primariamente clínico, baseado na aparência característica das lesões. A ausência de febre e sintomas sistêmicos, como no caso, é comum no impetigo não complicado. O tratamento visa erradicar a bactéria, prevenir a disseminação e evitar complicações como a glomerulonefrite pós-estreptocócica (associada a cepas nefritogênicas de S. pyogenes). Para lesões extensas ou múltiplas, o tratamento sistêmico é preferível. A cefalexina, uma cefalosporina de primeira geração, é uma excelente escolha devido à sua eficácia contra S. aureus e S. pyogenes, e seu bom perfil de segurança em pediatria. A mupirocina tópica é um antibiótico de uso local que pode ser aplicado diretamente nas lesões e é crucial para a descolonização de S. aureus em portadores, especialmente em narinas, unhas e períneo, reduzindo a taxa de recorrência e a transmissão intrafamiliar. A duração do tratamento sistêmico é tipicamente de 7 dias, enquanto a descolonização pode se estender por 3 semanas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos do impetigo e como eles se manifestam?

Os principais agentes são Staphylococcus aureus (incluindo MRSA) e Streptococcus pyogenes. O S. aureus é mais comum no impetigo bolhoso, enquanto o S. pyogenes e o S. aureus causam o impetigo não bolhoso, caracterizado por lesões eritematosas que evoluem para vesículas, pústulas e as clássicas crostas melicéricas.

Quando o tratamento sistêmico é indicado para impetigo em crianças?

O tratamento sistêmico com antibióticos orais é indicado para impetigo com lesões múltiplas, extensas, em rápida progressão, ou quando há sinais de celulite associada. Para lesões localizadas e limitadas, o tratamento tópico pode ser suficiente.

Qual a importância da mupirocina tópica no tratamento e prevenção do impetigo?

A mupirocina tópica é eficaz para o tratamento direto das lesões de impetigo e é fundamental para a descolonização de Staphylococcus aureus em portadores, especialmente nas narinas, unhas e períneo. A descolonização reduz o risco de recorrências e de transmissão para outros indivíduos.

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