UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Um menino de 4 anos, previamente saudável, é levado à unidade de pronto atendimento por apresentar lesões na face há cinco dias. Os pais relatam que as lesões, inicialmente, surgiram como uma pequena pápula eritematosa próxima ao nariz, que evoluiu para vesículas e depois crostas amareladas, aderentes e de aspecto melicérico. A criança frequenta creche, e há outros colegas que apresentaram lesões semelhantes recentemente. O paciente está afebril, em bom estado geral, e o exame físico mostra lesões restritas à região perinasal e perioral, sem linfadenopatia regional. Diante do caso, a conduta mais adequada é:
Lesão melicérica perioral em criança = Impetigo → Mupirocina tópica (se localizado).
O impetigo não bolhoso é uma infecção superficial comum. O tratamento tópico é preferível em lesões localizadas para evitar resistência bacteriana sistêmica.
O impetigo é a infecção bacteriana cutânea mais comum em crianças, altamente contagiosa e frequentemente associada a ambientes de creche. A apresentação clássica de crostas 'cor de mel' (melicéricas) sobre uma base eritematosa é patognomônica. A etiologia envolve principalmente o Staphylococcus aureus e o Streptococcus pyogenes. O manejo foca na higiene local e remoção suave das crostas com água morna, seguida da aplicação de antibióticos tópicos como Mupirocina ou Ácido Fusídico. A educação dos pais sobre o afastamento escolar até 24-48 horas após o início do tratamento é crucial para controlar surtos.
O impetigo não bolhoso (crostoso) é caracterizado por vesículas que rompem formando crostas melicéricas, geralmente por S. aureus ou S. pyogenes. O impetigo bolhoso é causado por toxinas esfoliativas do S. aureus, formando bolhas flácidas que deixam uma base eritematosa ao romper.
O tratamento sistêmico (Cefalexina ou Amoxicilina/Clavulanato) é indicado em casos de lesões extensas, múltiplas áreas afetadas, surtos em coletividades onde o tratamento tópico é impraticável, ou se houver sinais de infecção sistêmica como febre e linfadenopatia.
A principal complicação não supurativa é a Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica. É importante notar que o tratamento antibiótico do impetigo previne a disseminação da infecção, mas não há evidência robusta de que previna a GNDA, ao contrário da febre reumática.
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