Imperfuracão Anal em RN: Diagnóstico e Conduta

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020

Enunciado

Recém-Nascido a termo, sexo masculino, parto normal, 8 consultas de pré-natal realizadas, ultrassom morfológico normal, Apgar 9/10, no exame físico após o nascimento não apresentava o orifício anal. Qual a conduta a ser tomada frente a este achado?

Alternativas

  1. A) Colostomia de emergência.
  2. B) Anorretoplastia sagital posterior nas primeiras 24h de vida.
  3. C) Aguardar 24h e, se não houver saída de mecônio pelo períneo, realizar invertograma.
  4. D) Autorizar aleitamento materno exclusivo até decisão terapêutica.
  5. E) Intubação orotraqueal obrigatória, sonda orogástrica aberta e avaliação da cirurgia pediátrica.

Pérola Clínica

RN sem orifício anal: Aguardar 24h para mecônio e realizar invertograma para classificar a malformação.

Resumo-Chave

Em um recém-nascido com imperfuração anal, a conduta inicial é observar por 24 horas a possível saída de mecônio por fístula e, em seguida, realizar um invertograma para determinar o nível da malformação e planejar a cirurgia adequada.

Contexto Educacional

A imperfuracão anal, ou malformação anorretal, é uma anomalia congênita relativamente comum, com incidência de aproximadamente 1 em 5.000 nascidos vivos. É caracterizada pela ausência ou fechamento anormal do orifício anal, sendo diagnosticada no exame físico do recém-nascido. A apresentação clínica pode variar desde uma fístula perineal visível até a ausência completa de orifício anal, como no caso descrito. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações como obstrução intestinal e infecções urinárias associadas a fístulas. A conduta inicial para um recém-nascido estável com imperfuracão anal envolve a observação por 24 horas. Durante esse período, pode-se identificar a presença de fístulas (cutâneas, urinárias ou genitais) por onde o mecônio pode ser eliminado. Após 24 horas, se não houver passagem de mecônio, realiza-se o invertograma (ou outras imagens como ultrassom pélvico ou ressonância magnética) para determinar o nível da malformação (alta, intermediária ou baixa). Essa classificação é fundamental para guiar o tratamento cirúrgico. O tratamento definitivo é cirúrgico e varia conforme a classificação da malformação. Malformações baixas podem ser corrigidas com anorretoplastia sagital posterior (PSARP) primária, enquanto malformações altas geralmente requerem uma colostomia inicial para descompressão, seguida por PSARP definitiva em um segundo momento. É importante que o recém-nascido não seja alimentado até que a avaliação completa seja realizada e a conduta terapêutica definida, para evitar complicações da obstrução intestinal.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para um recém-nascido sem orifício anal aparente?

A conduta inicial é aguardar as primeiras 24 horas de vida para observar a possível saída de mecônio por alguma fístula perineal. Após esse período, se não houver passagem de mecônio, deve-se realizar um invertograma para determinar o nível da malformação anorretal.

O que é um invertograma e qual sua importância na imperfuracão anal?

O invertograma é uma radiografia simples do abdome e pelve com o bebê em posição invertida, que permite visualizar a bolha de ar no reto e sua distância até a pele perineal. Ele é crucial para classificar a malformação em alta ou baixa, o que direciona a estratégia cirúrgica.

Quais os riscos de iniciar o aleitamento materno em um RN com imperfuracão anal?

Iniciar o aleitamento materno em um recém-nascido com imperfuracão anal antes da avaliação e tratamento pode levar à distensão abdominal progressiva, vômitos e, em casos graves, perfuração intestinal devido à obstrução completa do trato gastrointestinal inferior.

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