Trauma: Critérios para Retirada Segura do Colar Cervical

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 35 anos de idade foi levado ao pronto-socorro após ter sido atropelado por uma moto. Seus dados de avaliação inicial eram os seguintes: vias aéreas pérvias; colar cervical colocado adequadamente; paciente eupneico; expansibilidade torácica preservada e simétrica; murmúrio vesicular presente bilateralmente; paciente consciente e corado; frequência cardíaca de 88 bpm; pulso radial amplo e cheio; tempo de enchimento capilar de 2 segundos; escala de coma de Glasgow 15; pupilas isocóricas e fotorreagentes; fratura exposta imobilizada e alinhada na perna esquerda. A avaliação secundária não mostrou nenhuma outra alteração, exceto a do membro inferior esquerdo e escoriações superficiais pelo corpo.Considerando-se esse caso hipotético, é correto afirmar que o colar cervical 

Alternativas

  1. A) pode ser retirado do paciente independentemente da realização de outro exame, por se tratar de trauma exclusivo no membro inferior.
  2. B) pode ser retirado do paciente, desde que ele não tenha dor à palpação nem à movimentação da coluna cervical, não havendo necessidade de realizar outro exame.
  3. C) somente pode ser retirado desse paciente após a realização de exame de imagem que exclua lesão cervical.
  4. D) somente pode ser retirado desse paciente após a realização de exame clínico de ortopedista.
  5. E) somente pode ser retirado desse paciente após a realização de exame clínico de neurocirurgião.

Pérola Clínica

Colar cervical só é retirado após exclusão de lesão cervical por exame de imagem.

Resumo-Chave

Em pacientes vítimas de trauma, a imobilização cervical é mandatória até que uma lesão na coluna cervical seja definitivamente excluída. A avaliação clínica isolada, mesmo sem dor, não é suficiente para a retirada segura do colar.

Contexto Educacional

A imobilização da coluna cervical é uma medida crucial no atendimento inicial ao paciente traumatizado, visando prevenir ou minimizar danos neurológicos secundários a uma possível lesão raquimedular. O colar cervical é aplicado precocemente em qualquer paciente com suspeita de trauma cervical ou mecanismo de trauma de alto impacto, como atropelamento. A decisão de retirar o colar cervical deve ser criteriosa e seguir protocolos estabelecidos, como os do ATLS (Advanced Trauma Life Support), que incluem os critérios de NEXUS (National Emergency X-Radiography Utilization Study) ou a Canadian C-Spine Rule. Esses critérios avaliam a presença de dor à palpação, déficits neurológicos, nível de consciência, intoxicação e outras lesões distrativas. Mesmo na ausência de dor ou déficits neurológicos, a retirada do colar cervical só é considerada segura após a exclusão definitiva de lesão cervical por meio de exames de imagem, como radiografias da coluna cervical, tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM), dependendo da suspeita clínica e dos achados iniciais. A TC é o método de escolha para avaliar fraturas.

Perguntas Frequentes

Quando o colar cervical deve ser colocado em um paciente traumatizado?

O colar cervical deve ser colocado em qualquer paciente vítima de trauma com mecanismo de lesão significativo ou com queixas de dor cervical, alterações neurológicas, intoxicação ou outras lesões que impeçam uma avaliação confiável da coluna cervical.

Quais são os critérios para a retirada do colar cervical?

A retirada do colar cervical é segura apenas após a exclusão de lesão na coluna cervical, geralmente por meio de exame clínico rigoroso (critérios de NEXUS ou Canadian C-Spine Rule) e, se necessário, exames de imagem como radiografias, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Por que a avaliação clínica isolada não é suficiente para retirar o colar cervical?

A avaliação clínica isolada pode não detectar lesões instáveis ou fraturas sem desvio, especialmente em pacientes com dor difusa, alterações do nível de consciência ou outras lesões distrativas. O exame de imagem é crucial para a confirmação da integridade da coluna.

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