SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2026
As síndromes hipertensivas são a intercorrência clínica mais comum da gestação e representam a principal causa de morbimortalidade materna no mundo. Sobre o tema, analise as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA: I. Quando o valor da pressão arterial se encontra ≥ 140 (sistólica) e/ou 90 mmHg (diastólica) em mais de uma medida com intervalo de pelo menos 15 minutos, há o diagnóstico de hipertensão arterial. II. Gestantes com hipertensão arterial crônica prévia à gestação que tinham bom controle dos níveis pressóricos com inibidores da enzima conversora da angiotensina devem manter o uso deste medicamento na mesma dosagem e posologia durante a gestação. III. Sinais comuns de iminência de eclâmpsia incluem cefaleia, distúrbios visuais e dor no andar superior do abdome (no epigástrio ou no hipocôndrio direito). IV. Para gestantes com pré-eclâmpsia, a via de parto de preferência é a cesariana, embora o parto vaginal possa ser conduzido nos casos das pacientes que já estejam em fase avançada de trabalho de parto, se a vitalidade fetal estiver preservada.
Cefaleia + Escotomas + Epigastralgia em gestante hipertensa = Iminência de Eclâmpsia.
A iminência de eclâmpsia é uma emergência obstétrica definida por sinais de irritabilidade do sistema nervoso central e dor abdominal superior, exigindo estabilização e prevenção de convulsões.
As síndromes hipertensivas na gestação são classificadas em hipertensão crônica, pré-eclâmpsia/eclâmpsia, pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica e hipertensão gestacional. O diagnóstico de hipertensão requer PA ≥ 140/90 mmHg em duas medidas com intervalo de 4 horas (exceto em crises hipertensivas onde o intervalo é menor). A iminência de eclâmpsia é um estágio crítico da pré-eclâmpsia grave. O manejo envolve a estabilização da pressão arterial e, crucialmente, a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio (esquemas de Zuspan ou Pritchard). A decisão sobre o momento do parto depende da idade gestacional e da estabilidade do binômio mãe-feto, sendo a interrupção da gravidez a única cura definitiva para a pré-eclâmpsia.
Os sinais e sintomas de iminência de eclâmpsia refletem a gravidade do comprometimento multissistêmico. Incluem cefaleia persistente e de forte intensidade (geralmente frontal ou occipital), distúrbios visuais como escotomas, visão turva ou diplopia, e dor no andar superior do abdome (epigastralgia ou dor no hipocôndrio direito), que ocorre devido à distensão da cápsula de Glisson pelo edema ou hemorragia hepática. A presença desses sinais em uma gestante hipertensa indica alto risco de convulsão iminente.
Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA) são contraindicados em qualquer fase da gestação devido aos seus efeitos teratogênicos e fetotóxicos. Eles podem causar malformações renais, oligodrâmnio grave (por redução da função renal fetal), hipoplasia pulmonar, retardo de crescimento intrauterino e defeitos de ossificação do crânio. Gestantes com hipertensão crônica devem ter sua medicação trocada para opções seguras como metildopa, hidralazina ou nifedipino.
Ao contrário do que muitos pensam, a pré-eclâmpsia por si só não é uma indicação absoluta de cesariana. A via de parto preferencial é a vaginal, pois o estresse cirúrgico da cesariana pode agravar o quadro hipertensivo e aumentar o risco de complicações como coagulopatias e infecções. A cesariana deve ser reservada para indicações obstétricas habituais ou quando a indução do parto falha ou não é recomendada devido à gravidade extrema com instabilidade materna ou fetal.
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