UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Primigesta, 21 anos de idade, 28 semanas de gestação, passou a apresentar hipertensão arterial desde a 260 semana de gravidez, em uso de metildopa e nifedipina há 1 semana, comparece a urgência e emergência obstétrica, referindo cefaléia e visão turva. Nega hipertensão arterial antes da gestação. Exame físico: pressão arterial= 170/ 110 mmHg. dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal, Batimentos cardíacos fetais= 95 bpm, colo uterino impérvio. Os exames laboratoriais mostram plaquetopenia, transaminases três vezes maior que o valor normal e elevação de bilirrubinas. A ultrassonografia obstétrica mostra Indice de Liquido Amniótico (ILA)= 6 cm. Considerando o caso descrito pode-se obter as seguintes impressões diagnósticas:
Pré-eclâmpsia grave + cefaleia/visão turva + plaquetopenia/transaminases elevadas + BCF ↓ = Iminência de Eclâmpsia + HELLP + Sofrimento Fetal.
A gestante apresenta sinais de pré-eclâmpsia grave (PA 170/110 mmHg, cefaleia, visão turva), com critérios para iminência de eclâmpsia. A plaquetopenia, transaminases elevadas e bilirrubinas elevadas configuram a Síndrome HELLP. O BCF de 95 bpm indica sofrimento fetal agudo, e ILA de 6 cm é oligoâmnio.
A pré-eclâmpsia é uma complicação grave da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas. Sua forma grave pode evoluir para iminência de eclâmpsia, com sintomas neurológicos como cefaleia e alterações visuais, indicando risco iminente de convulsão. A Síndrome HELLP, uma variante da pré-eclâmpsia grave, é uma emergência obstétrica que cursa com hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetopenia, exigindo reconhecimento e manejo rápidos. O caso clínico apresentado ilustra uma gestante com pré-eclâmpsia grave que evoluiu para iminência de eclâmpsia e Síndrome HELLP, com evidências de comprometimento fetal. A presença de BCF de 95 bpm é um sinal claro de sofrimento fetal agudo, enquanto o ILA de 6 cm indica oligoâmnio, ambos fatores que agravam o prognóstico e exigem intervenção imediata. O uso de metildopa e nifedipina prévio indica tentativa de controle da hipertensão, mas sem sucesso em prevenir a progressão da doença. O manejo dessas condições requer uma abordagem multidisciplinar, com estabilização da mãe e avaliação da vitalidade fetal. A interrupção da gestação é frequentemente a única forma de resolver a doença, e a via de parto dependerá das condições maternas e fetais. O conhecimento aprofundado desses cenários é crucial para residentes, pois são emergências obstétricas que demandam decisões rápidas e assertivas para salvar a vida da mãe e do feto.
Os sinais incluem cefaleia intensa, distúrbios visuais (visão turva, escotomas), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, hiperreflexia e, em casos graves, edema pulmonar.
A Síndrome HELLP é diagnosticada pela presença de hemólise (bilirrubinas elevadas, esquizócitos), enzimas hepáticas elevadas (AST/ALT > 2x o normal) e plaquetopenia (< 100.000/mm³).
A conduta inicial envolve estabilização materna, monitoramento fetal contínuo e, dependendo da idade gestacional e gravidade, interrupção da gestação, geralmente por cesariana de emergência.
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