Iminência de Eclâmpsia: Diagnóstico e Conduta Imediata

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Uma paciente primigesta, negra, com 17 anos de idade e no terceiro trimestre de gestação, é trazida à Emergência Obstétrica devido a história de cefaleia intensa, seguida de epigastralgia há 40 minutos. Familiares informam que a paciente referiu turvação visual e que, após esses sintomas, apresenta-se meio "aérea", motivo pelo qual a trouxeram ao hospital. A gestante apresenta-se consciente, ainda referindo turvação visual e epigastralgia. Refere melhora da cefaleia. Ao exame apresenta: palidez cutâneo-mucosa (+++/4+), pressão arterial = 180 × 120 mmHg, edema em membros inferiores (++++/4+), batimentos cardiofetais (feto 1 = 120 bpm; feto 2 = 105 bpm). Com base nos dados clínico-obstétricos expostos, o diagnóstico e a conduta imediata a ser tomada são:

Alternativas

  1. A) Eclâmpsia; resolução da gestação.
  2. B) Síndrome HELLP; administração de dexametasona.
  3. C) Iminência de eclâmpsia; administração de sulfato de magnésio.
  4. D) Pré-eclâmpsia grave; administração de hidralazina endovenosa.

Pérola Clínica

Cefaleia + Epigastralgia + Turvação visual + PA ≥ 160/110 → Iminência de Eclâmpsia → MgSO4.

Resumo-Chave

A iminência de eclâmpsia é caracterizada por sinais de irritabilidade do SNC (cefaleia, distúrbios visuais) e dor abdominal (epigastralgia), exigindo profilaxia imediata de convulsões com sulfato de magnésio.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma desordem multissistêmica definida pela hipertensão após a 20ª semana de gestação. Quando associada a sinais de gravidade, como sintomas neurológicos ou dor abdominal, o risco de progressão para eclâmpsia (convulsões tônico-clônicas generalizadas) aumenta drasticamente. O sulfato de magnésio é a droga de escolha, sendo superior a anticonvulsivantes comuns como fenitoína ou diazepam. O manejo clínico exige vigilância rigorosa da toxicidade pelo magnésio, que se manifesta inicialmente pela perda do reflexo patelar e depressão respiratória. O antídoto, gluconato de cálcio, deve estar sempre disponível à beira do leito. A resolução da gestação é o tratamento definitivo, mas deve ser precedida pela estabilização materna.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de iminência de eclâmpsia?

Os sinais clássicos incluem a tríade de sintomas premonitórios: cefaleia persistente e intensa (geralmente frontal ou occipital), distúrbios visuais como escotomas ou turvação visual (fotopsias) e dor epigástrica ou no hipocôndrio direito (sinal de Chaussier), que reflete o estiramento da cápsula de Glisson. Estes sintomas indicam irritabilidade do sistema nervoso central e comprometimento sistêmico iminente.

Qual a dose de ataque do Sulfato de Magnésio no esquema de Pritchard?

No esquema de Pritchard, a dose de ataque consiste em 4g de sulfato de magnésio a 20% por via endovenosa lenta (em 10 a 20 minutos), associada a 10g por via intramuscular (5g em cada nádega). A manutenção é feita com 5g IM a cada 4 horas. É fundamental monitorar reflexo patelar, frequência respiratória e débito urinário durante a administração.

Por que a hidralazina não é a conduta imediata prioritária neste caso?

Embora a hidralazina seja indicada para o controle da crise hipertensiva (PA ≥ 160/110 mmHg), a prioridade absoluta na presença de sintomas neurológicos e epigastralgia é a prevenção da convulsão com sulfato de magnésio. O controle pressórico é adjuvante para prevenir AVC, mas o diagnóstico de iminência de eclâmpsia impõe a estabilização neurológica imediata.

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