UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023
Paciente chega ao pronto atendimento com idade gestacional de 34 semanas com epigastralgia e cefaleia intensa. Ao exame físico, apresenta PA de 160 x 100 mmHg, edema de face e hiperreflexia. Qual a hipótese diagnóstica e conduta para o caso, respectivamente?
Pré-eclâmpsia grave com sintomas neurológicos (cefaleia, hiperreflexia) → iminência de eclâmpsia = sulfato de magnésio + interrupção da gestação imediata.
A presença de cefaleia intensa, epigastralgia e hiperreflexia em uma gestante com pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160x110 mmHg ou ≥ 140x90 mmHg com proteinúria e sintomas graves) indica iminência de eclâmpsia. A conduta imediata é a profilaxia/tratamento da convulsão com sulfato de magnésio e a interrupção da gestação, preferencialmente em até 1 hora após estabilização materna.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria e/ou disfunção de órgãos-alvo. A pré-eclâmpsia grave é definida pela presença de PA ≥ 160/110 mmHg ou sintomas e sinais de gravidade, como cefaleia persistente, distúrbios visuais, epigastralgia, dor em hipocôndrio direito, edema pulmonar, disfunção renal ou hepática, e alterações hematológicas. A iminência de eclâmpsia representa a fase que precede a convulsão eclâmptica, manifestando-se por sintomas neurológicos e/ou epigastralgia. A fisiopatologia envolve uma disfunção endotelial generalizada e má perfusão placentária, levando a uma resposta inflamatória sistêmica. A presença de cefaleia intensa e hiperreflexia, juntamente com epigastralgia, são sinais de alerta para o risco iminente de convulsão, caracterizando a iminência de eclâmpsia. O manejo é urgente e visa prevenir a convulsão e resolver a condição subjacente. A conduta na iminência de eclâmpsia inclui a administração imediata de sulfato de magnésio para profilaxia e tratamento das convulsões, seguido pela interrupção da gestação. A estabilização materna é prioritária, e a interrupção deve ocorrer o mais rápido possível, geralmente dentro de uma hora após o início do sulfato de magnésio e controle da pressão arterial. A via de parto (vaginal ou cesariana) dependerá das condições obstétricas e da urgência do caso, mas o objetivo principal é a resolução da gestação para cessar a progressão da doença.
Os sinais incluem cefaleia intensa, distúrbios visuais, epigastralgia ou dor em hipocôndrio direito, náuseas/vômitos, hiperreflexia e, em casos graves, alterações do nível de consciência.
O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha para profilaxia e tratamento da eclâmpsia, agindo como um depressor do sistema nervoso central e vasodilatador, reduzindo o risco de convulsões.
A interrupção da gestação é indicada imediatamente na iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia estabelecida, bem como em casos de pré-eclâmpsia grave com comprometimento materno ou fetal, independentemente da idade gestacional, após estabilização materna.
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