Iminência de Eclâmpsia: Diagnóstico e Manejo Urgente

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma primigesta, com 33 semanas de gestação, sem comorbidades prévias, apresenta cefaleia occipital, turvação visual e epigastralgia. Encontra-se agitada e com pressão arterial de 170 mmHg × 120 mmHg, conforme exame físico. Os dados do exame obstétrico são os seguintes: útero globoso; AU = 32 cm; tônus uterino normal; batimentos cardíacos fetais = 140 bpm.Com relação ao caso clínico acima, assinale a alternativa que apresenta corretamente o diagnóstico e a opção terapêutica adequada, respectivamente.

Alternativas

  1. A) iminência de eclâmpsia — sulfato de magnésio e hidralazina na dose inicial de 5 mg, via intravenosa, repetindo-se a dose de 5 mg a cada vinte minutos, se necessário.
  2. B) hipertensão arterial superajuntada — nifedipino na dose inicial de 10 mg, via oral, repetindo-se, se necessário, a dose de 10 mg a cada vinte a trinta minutos.
  3. C) síndrome HELLP — hidralazina na dose inicial de 5 mg, via intravenosa, repetindo-se a dose de 10 mg a cada vinte minutos, se necessário.
  4. D) pré-eclâmpsia grave — sulfato de magnésio e alfa metildopa na dose de 750 mg a 2.000 mg por dia.
  5. E) eclâmpsia — sulfato de magnésio e hidralazina 5 mg, via intravenosa, repetindo-se a dose de 5 mg a cada vinte minutos, se necessário.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave com sintomas neurológicos/epigastralgia → Iminência de eclâmpsia = Sulfato de Magnésio + anti-hipertensivo.

Resumo-Chave

A presença de cefaleia, turvação visual e epigastralgia em gestante com hipertensão grave indica iminência de eclâmpsia, exigindo sulfato de magnésio para neuroproteção e anti-hipertensivos para controle pressórico agudo, como hidralazina.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma condição hipertensiva da gravidez que pode evoluir para formas graves, como a iminência de eclâmpsia e a eclâmpsia. Afeta cerca de 2-8% das gestações e é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. O reconhecimento precoce dos sinais de gravidade é fundamental para a intervenção oportuna e melhora do prognóstico. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada, vasoconstrição e ativação plaquetária, levando a danos em múltiplos órgãos. A suspeita de iminência de eclâmpsia surge quando uma gestante com pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 mmHg ou proteinúria significativa) apresenta sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, ou hiperreflexia. O diagnóstico é clínico e exige ação imediata. O tratamento da iminência de eclâmpsia é uma emergência obstétrica. Inclui a administração de sulfato de magnésio para prevenir convulsões, seguido pelo controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos intravenosos como hidralazina ou labetalol. A estabilização materna e a avaliação da vitalidade fetal são prioritárias, muitas vezes culminando na interrupção da gestação após a estabilização.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de iminência de eclâmpsia em gestantes?

Os sinais incluem cefaleia persistente (geralmente occipital), turvação visual, escotomas, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, hiperreflexia e agitação, além de hipertensão grave.

Qual a importância do sulfato de magnésio no tratamento da iminência de eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é crucial para a neuroproteção, prevenindo a ocorrência de convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante, sendo a primeira linha de tratamento.

Como diferenciar pré-eclâmpsia grave de iminência de eclâmpsia?

A iminência de eclâmpsia é um subtipo da pré-eclâmpsia grave, caracterizada pela presença de sintomas neurológicos ou epigástricos que indicam risco iminente de convulsão, exigindo intervenção imediata.

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