UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021
Primigesta, 23 anos de idade, 35 semanas de gestação, passou a apresentar hipertensão arterial desde a 26ª semana de gravidez, controlada com uso de metildopa, comparece a consulta de pré-natal referindo cefaléia e visão turva. Nega hipertensão arterial antes da gestação. Exame físico: pressão arterial= 170/ 110 mmHg. dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal, Batimentos cardíacos fetais= 125 bpm, colo uterino impérvio. Traz os seguintes exames realizados há 1 dia:• Ultrassonografia obstétrica com doppler: peso fetal= 1500 g (percentil menor que 5), índice de líquido amniótico (ILA)= 4 cm, placenta grau III• Proteinúria de 24 horas= 1200 mgCom base no caso descrito acima é possível se obter as seguintes impressões diagnósticas:
HAS gestacional + proteinúria + sintomas neurológicos + RCF + oligoâmnio = Iminência de Eclâmpsia.
A paciente apresenta hipertensão arterial gestacional com proteinúria significativa (>300mg/24h), configurando pré-eclâmpsia. A presença de sintomas neurológicos (cefaleia, visão turva) e achados ultrassonográficos de restrição do crescimento fetal (peso <p5) e oligoâmnio (ILA 4cm) indicam gravidade e caracterizam um quadro de iminência de eclâmpsia, que exige conduta imediata.
A hipertensão arterial na gravidez é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia desconhecida, caracterizada por hipertensão e proteinúria que se desenvolve após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas. A forma grave da pré-eclâmpsia é definida pela presença de PA ≥ 160/110 mmHg, proteinúria maciça, ou sintomas e sinais de disfunção de órgãos-alvo, como cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal, edema pulmonar, restrição de crescimento fetal (RCF) e oligoâmnio. O caso descrito apresenta uma primigesta com hipertensão gestacional desde a 26ª semana, que evolui com PA elevada (170/110 mmHg), proteinúria de 1200 mg/24h (critério de pré-eclâmpsia grave) e sintomas neurológicos (cefaleia e visão turva). Estes sintomas, em um contexto de pré-eclâmpsia grave, são indicativos de iminência de eclâmpsia, uma condição que precede as convulsões eclâmpticas e exige intervenção imediata. Além disso, os achados ultrassonográficos de peso fetal abaixo do percentil 5 (RCF) e índice de líquido amniótico de 4 cm (oligoâmnio) são complicações graves da pré-eclâmpsia e reforçam a necessidade de conduta urgente. O manejo da iminência de eclâmpsia é uma emergência obstétrica que visa prevenir as convulsões e as complicações maternas e fetais. Inclui o controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos intravenosos, a administração de sulfato de magnésio para neuroproteção e prevenção de convulsões, e a avaliação da necessidade de interrupção da gestação. A decisão sobre o momento do parto depende da idade gestacional, da gravidade do quadro materno e da vitalidade fetal. A RCF e o oligoâmnio são fatores que contribuem para a decisão de antecipar o parto, visando a segurança materno-fetal.
A pré-eclâmpsia é diagnosticada pela presença de hipertensão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões, com 4h de intervalo, após 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa) e proteinúria (≥ 300 mg em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou dipstick ≥ 2+).
A iminência de eclâmpsia é caracterizada pela presença de pré-eclâmpsia grave, associada a sintomas neurológicos como cefaleia persistente, distúrbios visuais (visão turva, escotomas), dor epigástrica ou no quadrante superior direito, hiperreflexia e, por vezes, achados de disfunção orgânica como restrição de crescimento fetal e oligoâmnio.
A conduta inicial envolve a internação imediata, controle rigoroso da pressão arterial (com anti-hipertensivos como hidralazina ou labetalol), prevenção de convulsões com sulfato de magnésio e avaliação da vitalidade fetal. A interrupção da gestação é frequentemente indicada, dependendo da idade gestacional e da estabilidade materna e fetal.
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