Iminência de Eclampsia: Sinais e Diagnóstico na Gestação

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente G4P2A1, IG 37 semanas, em seguimento no pré-natal de alto risco devido a hipertensão arterial sistêmica, desde a 27a semana em uso de alfa metildopa1g/dia. Compareceu ao pronto atendimento com queixa de dor em região epigástrica, cefaleia e turvação visual. Ao exame: discretamente torporosa, pressão arterial = 160 x 110 mmHg, hiperreflexia patelar, com aumento de área reflexógena. AU = 35cm; DU = ausente; batimento cardíaco fetal = 120 batimentos/minuto. Qual o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Restrição de crescimento intrauterino
  2. B) Hipertensão arterial crônica
  3. C) Crise de hiperglicemia materna
  4. D) Iminência de eclampsia

Pérola Clínica

Gestante com HAS, PA ≥ 160/110, cefaleia, turvação visual, dor epigástrica e hiperreflexia → Iminência de Eclampsia.

Resumo-Chave

A iminência de eclampsia é caracterizada por sinais e sintomas neurológicos e outros achados que precedem as convulsões eclâmpticas. A presença de cefaleia intensa, turvação visual, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, e hiperreflexia patelar em uma gestante com pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 mmHg) indica um risco iminente de convulsão, exigindo manejo imediato.

Contexto Educacional

A iminência de eclampsia representa uma fase crítica da pré-eclâmpsia grave, uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. Caracteriza-se por um conjunto de sinais e sintomas que precedem a ocorrência de convulsões eclâmpticas, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico para os profissionais de saúde. A hipertensão arterial sistêmica na gestação, especialmente a pré-eclâmpsia, afeta cerca de 5-8% das gestações, e a progressão para iminência de eclampsia exige atenção imediata para prevenir desfechos catastróficos. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma disfunção endotelial generalizada, resultando em vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária. Na iminência de eclampsia, essa disfunção afeta o sistema nervoso central, causando edema cerebral e irritabilidade neuronal, manifestada por cefaleia, distúrbios visuais e hiperreflexia. A dor epigástrica é frequentemente associada à distensão da cápsula de Glisson devido a edema hepático ou isquemia. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de hipertensão grave (PA ≥ 160/110 mmHg) e nos sintomas neurológicos e epigástricos característicos. O tratamento da iminência de eclampsia visa prevenir as convulsões e estabilizar a paciente. Isso inclui o controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos intravenosos (ex: hidralazina, labetalol) e, crucialmente, a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio. A resolução definitiva da pré-eclâmpsia e eclampsia é o parto, que deve ser considerado após a estabilização materna, independentemente da idade gestacional. O prognóstico materno e fetal melhora significativamente com o reconhecimento precoce e manejo adequado, sendo um tema de grande relevância para a formação de residentes em ginecologia e obstetrícia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia grave?

A pré-eclâmpsia grave é diagnosticada pela presença de pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg em duas ocasiões com 4 horas de intervalo, ou pela presença de proteinúria, associada a sintomas como cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica, edema pulmonar, disfunção hepática ou renal, ou plaquetopenia.

Quais sintomas indicam iminência de eclampsia?

Os sintomas que indicam iminência de eclampsia incluem cefaleia intensa e persistente, distúrbios visuais (turvação, escotomas, diplopia), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, náuseas e vômitos, e hiperreflexia patelar com clônus.

Qual a importância da hiperreflexia patelar no diagnóstico de iminência de eclampsia?

A hiperreflexia patelar, especialmente quando acompanhada de clônus, é um sinal neurológico importante que indica irritabilidade do sistema nervoso central e um risco aumentado de convulsões eclâmpticas. É um achado clínico que reforça o diagnóstico de iminência de eclampsia.

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