Ílio Biliar: Diagnóstico e Manejo da Obstrução Intestinal

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente feminina, 77 anos de idade, é admitida no serviço de emergência devido a náuseas, vômitos e distensão abdominal, há 10 dias. Última evacuação há 5 dias e desde então não elimina gases. Tem diagnóstico de dislipidemia, obesidade e colelitíase. Nega cirurgias prévias. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, desidratada, eupneica. Abdome: distendido, ruídos hidroaéreos aumentados, doloroso à palpação profunda, sem irritação peritoneal. Toque retal: sem fezes na ampola. Exames laboratoriais: Hb: 11,0 g/dL; Ht: 38%; Creatinina: 1,9 mg/dL; Ureia: 80 mg/dL. Demais exames sem alterações. Realizada a tomografia de abdome, apresentada a seguir.Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Abdome agudo obstrutivo por bridas.
  2. B) Colecistite enfisematosa.
  3. C) Ílio biliar.
  4. D) Síndrome de Ogilvie.
  5. E) Volvo de sigmoide.

Pérola Clínica

Idosa, colelitíase, obstrução intestinal sem cirurgia prévia, pneumobilia na TC → suspeitar de ílio biliar.

Resumo-Chave

O ílio biliar é uma causa rara de obstrução intestinal mecânica, mais comum em idosos com história de colelitíase. Caracteriza-se pela migração de um cálculo biliar grande para o intestino delgado através de uma fístula colecistoentérica, causando obstrução. A ausência de cirurgias prévias é um forte indício.

Contexto Educacional

O ílio biliar é uma complicação rara, mas grave, da colelitíase, responsável por 1-4% dos casos de obstrução intestinal mecânica, sendo mais comum em idosos. Caracteriza-se pela formação de uma fístula colecistoentérica, geralmente entre a vesícula biliar e o duodeno ou íleo, permitindo a migração de um cálculo biliar grande para o lúmen intestinal, onde pode impactar e causar obstrução, mais frequentemente no íleo terminal. A apresentação clínica é de abdome agudo obstrutivo, com náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. A história de colelitíase e a ausência de cirurgias abdominais prévias são pistas importantes. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada o método de escolha, que pode revelar a tríade de Rigler: pneumobilia, obstrução intestinal e um cálculo biliar ectópico. O tratamento do ílio biliar é cirúrgico. A abordagem primária é a enterolitotomia para remover o cálculo impactado e aliviar a obstrução. A reparação da fístula e a colecistectomia podem ser realizadas no mesmo tempo cirúrgico ou em um segundo momento, dependendo da estabilidade do paciente e da extensão da inflamação. O prognóstico é geralmente bom se diagnosticado e tratado precocemente, mas a morbimortalidade pode ser elevada em pacientes idosos e com comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos da tríade de Rigler no ílio biliar?

A tríade de Rigler consiste em pneumobilia (ar nas vias biliares), obstrução intestinal e um cálculo biliar ectópico (geralmente no íleo terminal) visível na radiografia ou tomografia.

Como se forma a fístula colecistoentérica no ílio biliar?

A fístula se forma devido à inflamação crônica da vesícula biliar (colecistite) causada por um cálculo impactado, que erode a parede da vesícula e do intestino adjacente (geralmente duodeno ou íleo).

Qual o tratamento para o ílio biliar?

O tratamento é cirúrgico e consiste na enterolitotomia (remoção do cálculo do intestino) para aliviar a obstrução. A reparação da fístula e colecistectomia podem ser realizadas no mesmo tempo ou em um segundo momento, dependendo da condição do paciente.

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