FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
O íleo pós-operatório é definido como a cessação temporária do peristaltismo intestinal coordenado após a cirurgia, restringindo a passagem do conteúdo intestinal e tornando o paciente incapaz de tolerar a ingestão oral de líquidos ou alimentos sólidos. Segundo o conceito do protocolo perioperatório multimodal ERAS (Enhanced Recovery After Surgery – Recuperação Otimizada Após a Cirurgia), apenas três (03) medidas foram mostradas em meta-análise (nível de evidência IA) como capazes de encurtar a duração do íleo pós-operatório. São elas:
ERAS para íleo pós-operatório: Cirurgia minimamente invasiva + Analgesia peridural + Mascar chiclete.
O protocolo ERAS visa otimizar a recuperação pós-cirúrgica, e para o íleo pós-operatório, medidas como cirurgia minimamente invasiva, analgesia peridural e mascar chiclete demonstraram, com alto nível de evidência, encurtar sua duração, promovendo um retorno mais rápido da função intestinal.
O íleo pós-operatório é uma complicação comum após cirurgias abdominais, caracterizada pela disfunção temporária da motilidade intestinal. Ele prolonga a internação, aumenta custos e desconforto do paciente. O protocolo ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) é uma abordagem multimodal que visa otimizar a recuperação cirúrgica, e a prevenção do íleo é um de seus pilares. A fisiopatologia do íleo pós-operatório envolve uma complexa interação de fatores, incluindo inflamação local e sistêmica, ativação do sistema nervoso simpático, uso de opioides e manipulação intestinal. O protocolo ERAS atua em diversas frentes para mitigar esses fatores. As medidas com maior nível de evidência (IA) para encurtar o íleo incluem a realização de cirurgia minimamente invasiva, que reduz o trauma e a resposta inflamatória; a analgesia peridural, que minimiza o uso de opioides e bloqueia reflexos simpáticos inibitórios; e o mascar chiclete no pós-operatório, que estimula a motilidade intestinal por via cefálica. A implementação do protocolo ERAS, incluindo essas medidas, resulta em menor tempo de internação, redução de complicações e melhor satisfação do paciente. Para residentes, compreender e aplicar os princípios do ERAS é fundamental para a prática cirúrgica moderna, garantindo uma recuperação mais rápida e segura para os pacientes.
Fatores de risco incluem a extensão da manipulação intestinal, tipo de cirurgia (especialmente abdominal), uso excessivo de opioides, desequilíbrios eletrolíticos, inflamação sistêmica e imobilização prolongada no pós-operatório.
A cirurgia minimamente invasiva (laparoscópica ou robótica) reduz o trauma tecidual, a resposta inflamatória sistêmica e a manipulação intestinal em comparação com a cirurgia aberta, o que leva a um retorno mais rápido da função gastrointestinal e menor incidência de íleo.
Mascar chiclete simula a alimentação, estimulando a via cefálica e a produção de saliva e sucos gástricos, o que pode ativar reflexos vagais e promover a motilidade intestinal. É uma intervenção simples e de baixo custo com evidência de benefício.
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