PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
O íleo pós-operatório (PO), ou íleo adinâmico, é uma complicação comum que ocorre principalmente, mas não somente, após cirurgias abdominais e pode resultar em atraso na recuperação do trato gastrointestinal. Em relação ao íleo pós-operatório, assinale a alternativa CORRETA.
Íleo PO = Resposta inflamatória (TNF-α, IL-6) inibindo o plexo mioentérico e a motilidade.
O íleo pós-operatório é mediado por uma cascata inflamatória local e sistêmica que inibe a coordenação motora do trato gastrointestinal.
O íleo pós-operatório (IPO) é uma resposta fisiológica esperada ao trauma cirúrgico, mas torna-se patológico quando prolongado. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo reflexos autonômicos (hiperatividade simpática), liberação de opioides endógenos e, crucialmente, uma fase inflamatória. A manipulação intestinal ativa leucócitos na camada muscular, liberando citocinas (TNF-α, IL-6) que paralisam o peristaltismo. Clinicamente, o IPO manifesta-se por distensão e intolerância alimentar. O manejo moderno baseia-se nos protocolos ERAS (Enhanced Recovery After Surgery), que preconizam a minimização de opioides, mobilização precoce e realimentação precoce conforme tolerado. O reconhecimento de que a inflamação é o motor da disfunção motora permite entender por que intervenções que reduzem o estresse cirúrgico são eficazes na redução do tempo de íleo.
A manipulação cirúrgica das alças intestinais desencadeia uma resposta inflamatória local caracterizada pela ativação de macrófagos residentes na muscular própria. Esses macrófagos liberam citocinas pró-inflamatórias, como TNF-alfa, Interleucina-1 (IL-1) e Interleucina-6 (IL-6), além de óxido nítrico e prostaglandinas. Esses mediadores exercem um efeito inibitório direto sobre o músculo liso intestinal e interferem na sinalização do plexo mioentérico, quebrando a coordenação dos movimentos peristálticos. Além disso, a inflamação aumenta a permeabilidade vascular, contribuindo para o edema da parede intestinal, o que agrava ainda mais a disfunção motora, resultando no quadro clínico de íleo adinâmico.
A avaliação da gravidade baseia-se em critérios clínicos e laboratoriais. Embora existam sistemas de pontuação como o Paralytic Ileus Severity Score (PISS), a prática clínica foca na persistência de náuseas, vômitos, distensão abdominal e ausência de eliminação de gases ou fezes após o período esperado (geralmente 3-5 dias). Marcadores de gravidade incluem a incapacidade de tolerar dieta oral, necessidade de sonda nasogástrica para descompressão e sinais de desidratação ou distúrbios hidroeletrolíticos. No PISS, especificamente, uma pontuação mais elevada correlaciona-se com maior gravidade, auxiliando na decisão de manter suporte conservador ou investigar complicações mecânicas.
No íleo pós-operatório prolongado, a conduta deve ser cautelosa. Se o paciente apresenta vômitos incoercíveis e distensão importante, a nutrição enteral pode ser mal tolerada e aumentar o risco de broncoaspiração. Nesses casos, a descompressão gástrica com sonda nasogástrica é indicada. Se o trato gastrointestinal não puder ser utilizado por um período prolongado (geralmente > 7 dias em pacientes previamente nutridos ou antes em desnutridos), a Nutrição Parenteral Total (NPT) deve ser considerada. Diferente do que se pensava antigamente, a NPT não é contraindicada, mas deve ser reservada para quando a via enteral falha, visando manter o aporte calórico-proteico até a resolução da inflamação intestinal.
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