HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021
Paciente do sexo masculino, 40 anos, foi submetido a colectomia esquerda seguida de colostomia tipo Hartmann, devido a tumor de cólon obstrutivo. Durante a cirurgia, observou-se edema e dilatação de todo o intestino delgado e do cólon. No 5º dia de pós-operatório, o paciente está em regular estado geral, eupneico, afebril, permanece com distensão abdominal e alto débito de líquido bilioso pela sonda nasogástrica, ruídos abdominais diminuídos e eliminação precária de gases pela colostomia. A radiografia simples de abdome mostra distensão de intestino delgado e cólon. Das possibilidades abaixo, a mais provável seria:
Pós-op 5º dia com distensão, SNG alto débito, ruídos ↓, gases ↓ e RX com distensão de delgado/cólon → Íleo paralítico.
O íleo paralítico é uma condição comum no pós-operatório, caracterizada pela inibição temporária da motilidade intestinal. No 5º dia pós-colectomia, com distensão generalizada e ausência de sinais de obstrução mecânica, é a hipótese mais provável.
O íleo paralítico pós-operatório, também conhecido como íleo adinâmico, é uma disfunção temporária da motilidade gastrointestinal que ocorre após procedimentos cirúrgicos abdominais. É uma complicação comum, especialmente após cirurgias extensas como colectomias, e é caracterizado pela incapacidade do intestino de propulsar seu conteúdo, levando a acúmulo de gases e líquidos. Sua prevalência varia, mas é esperada em algum grau após a maioria das cirurgias abdominais. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória à manipulação cirúrgica, liberação de mediadores inflamatórios, ativação do sistema nervoso simpático e uso de medicamentos como opioides. Clinicamente, manifesta-se por distensão abdominal, náuseas, vômitos, intolerância à dieta oral, ausência de eliminação de flatos e fezes, e ruídos hidroaéreos diminuídos ou ausentes. A radiografia simples de abdome tipicamente mostra distensão generalizada de alças de delgado e cólon, sem pontos de transição ou níveis hidroaéreos fixos que sugeririam obstrução mecânica. O tratamento do íleo paralítico é primariamente de suporte, com o objetivo de permitir a recuperação espontânea da motilidade intestinal. Isso inclui jejum oral, descompressão gástrica com sonda nasogástrica (se houver vômitos ou distensão significativa), hidratação intravenosa, correção de distúrbios eletrolíticos (especialmente hipocalemia) e manejo da dor com analgésicos não opioides sempre que possível. A mobilização precoce do paciente é uma medida importante para estimular o retorno da função intestinal. O residente deve estar atento para diferenciar o íleo paralítico de uma obstrução mecânica, que exigiria intervenção cirúrgica.
Fatores incluem manipulação intestinal durante a cirurgia, uso de opioides, inflamação, desequilíbrios eletrolíticos (hipocalemia), sepse e isquemia intestinal.
O íleo paralítico geralmente apresenta distensão abdominal difusa, ruídos hidroaéreos diminuídos ou ausentes, e dor abdominal mais difusa. A obstrução mecânica tende a ter dor mais localizada, ruídos hiperativos (no início) e padrão de distensão segmentar no RX.
O manejo é de suporte, incluindo suspensão da dieta oral, descompressão com sonda nasogástrica, hidratação venosa, correção de distúrbios eletrolíticos e mobilização precoce. Evitar opioides se possível.
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