Íleo Paralítico Pós-Operatório: Diagnóstico e Manejo

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 45 anos foi submetido a uma laparotomia exploratória devido a uma suspeita de peritonite secundária à perfuração intestinal. No terceiro dia pós-operatório, ele apresenta distensão abdominal progressiva, náuseas, ausência de eliminação de gases e fezes, além de sons intestinais ausentes ao exame físico. Seu manejo pós-operatório incluiu analgesia com opiáceos e restrição de dieta oral. Os exames laboratoriais demonstram hemoglobina 12g/dl, leucócitos 13.800/mm³, sódio 132mEq/L (135-145 mEq/L) potássio sérico de 3,2 mEq/L (3,5-5,0 mEq/L) e procalcitonina de 0,048 ng/dl (<0,05ng/dl).

Alternativas

  1. A) Obstrução intestinal mecânica causada por aderências cirúrgicas
  2. B) Peritonite residual com comprometimento da motilidade intestinal
  3. C) Pseudo-obstrução intestinal aguda (Síndrome de Ogilvie)
  4. D) Íleo paralítico secundário a fatores pós-operatórios

Pérola Clínica

Distensão abdominal + ausência de sons intestinais + fatores pós-operatórios (opiáceos, hipocalemia) → Íleo paralítico.

Resumo-Chave

O íleo paralítico pós-operatório é uma causa comum de distensão abdominal e ausência de eliminação de gases/fezes após cirurgia abdominal. Fatores como uso de opiáceos, hipocalemia e a própria manipulação intestinal durante a cirurgia contribuem para a disfunção da motilidade, diferenciando-o de uma obstrução mecânica pela ausência de sons intestinais e ausência de sinais inflamatórios sistêmicos.

Contexto Educacional

O íleo paralítico pós-operatório é uma disfunção comum da motilidade intestinal que ocorre após cirurgias, especialmente as abdominais. Caracteriza-se pela ausência temporária da peristalse, resultando em distensão abdominal, náuseas, vômitos e ausência de eliminação de gases e fezes. Sua incidência varia, mas é uma das causas mais frequentes de atraso na alta hospitalar e aumento da morbidade pós-operatória. A fisiopatologia do íleo paralítico é multifatorial, envolvendo a resposta inflamatória à cirurgia, a manipulação intestinal, a liberação de mediadores inflamatórios, o uso de opiáceos, desequilíbrios eletrolíticos (como hipocalemia) e a ativação do sistema nervoso simpático. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no exame físico, que revela distensão abdominal e sons intestinais ausentes ou hipoativos. Exames de imagem, como radiografias abdominais, podem mostrar alças intestinais dilatadas com níveis hidroaéreos difusos. O tratamento é primariamente de suporte, focando na correção dos fatores precipitantes e na otimização da recuperação. Isso inclui jejum oral, descompressão nasogástrica se necessário, correção de distúrbios eletrolíticos, mobilização precoce e minimização do uso de opiáceos. Em alguns casos, agentes procinéticos podem ser considerados, embora sua eficácia seja debatida. O prognóstico é geralmente bom, com resolução espontânea em poucos dias, mas a identificação e manejo adequados são cruciais para evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de íleo paralítico pós-operatório?

Os principais fatores de risco incluem cirurgia abdominal extensa, uso de opiáceos para analgesia, desequilíbrios eletrolíticos (especialmente hipocalemia), inflamação intra-abdominal, sepse e certas condições médicas preexistentes. A manipulação intestinal durante a cirurgia também contribui.

Como diferenciar o íleo paralítico de uma obstrução intestinal mecânica?

A diferenciação é crucial. O íleo paralítico apresenta sons intestinais ausentes ou muito diminuídos, enquanto a obstrução mecânica geralmente tem sons hiperativos e em 'luta' nas fases iniciais. A ausência de febre e marcadores inflamatórios elevados (como a procalcitonina) também favorece o íleo paralítico.

Qual é o manejo inicial do íleo paralítico pós-operatório?

O manejo inicial é de suporte, incluindo suspensão da dieta oral (jejum), descompressão gástrica com sonda nasogástrica se houver vômitos ou distensão severa, correção de distúrbios eletrolíticos (como hipocalemia) e manejo da dor com redução de opiáceos, se possível. A deambulação precoce é incentivada.

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