Íleo Paralítico Pós-Operatório: Fatores de Risco e Manejo

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 70 anos de idade, portador de hipertensão arterial controlada, foi submetido a colectomia direita por vídeolaparoscopia. No pós- operatório imediato, permaneceu de sonda nasogástrica por 1 dia. Ao iniciar a dieta no dia seguinte, apresentou íleo paralítico que se prolongou por 1 semana. Os fatores de risco presentes nesse caso que podem ter contribuí do para o surgimento do íleo paralítico são

Alternativas

  1. A) sexo masculino e idade avançada.
  2. B) sexo masculino e cirurgia laparoscópica.
  3. C) idade avançada e cirurgia laparoscópica.
  4. D) idade avançada e hipertensão.

Pérola Clínica

Idade avançada + Sexo masculino → ↑ Risco de íleo paralítico prolongado no pós-operatório.

Resumo-Chave

O íleo paralítico é uma resposta fisiológica comum ao trauma cirúrgico, mas sua persistência é influenciada por fatores demográficos como idade e sexo.

Contexto Educacional

O íleo paralítico pós-operatório (IPPO) é uma interrupção temporária da motilidade intestinal após cirurgia. Sua fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória local mediada por macrófagos na muscular própria, além da ativação de reflexos neurais inibitórios e o efeito de substâncias neuro-humorais. A identificação de fatores de risco é crucial para implementar protocolos de recuperação otimizada (ERAS). Neste caso clínico, o paciente apresenta dois fatores clássicos: idade avançada (70 anos) e sexo masculino. Embora a laparoscopia tenha sido utilizada, o que teoricamente reduziria o risco, as características intrínsecas do paciente prevaleceram na gênese do íleo prolongado por uma semana. O manejo envolve suporte clínico, correção de eletrólitos e descompressão se necessário.

Perguntas Frequentes

Quais os principais fatores de risco para íleo paralítico prolongado?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, sexo masculino, tempo cirúrgico prolongado, manipulação excessiva das alças intestinais, uso excessivo de opioides no pós-operatório e distúrbios hidroeletrolíticos, como a hipocalemia. Estudos mostram que pacientes idosos e do sexo masculino têm uma predisposição fisiológica maior para o atraso no retorno da motilidade gastrointestinal após grandes cirurgias abdominais.

A cirurgia laparoscópica aumenta o risco de íleo paralítico?

Pelo contrário, a cirurgia videolaparoscópica está associada a um retorno mais precoce da função intestinal quando comparada à laparotomia. Isso ocorre devido à menor manipulação das alças, menor resposta inflamatória sistêmica e redução da necessidade de analgésicos opioides, que são conhecidos por inibir a motilidade intestinal.

Como diferenciar o íleo fisiológico do íleo paralítico prolongado?

O íleo fisiológico é esperado após cirurgias abdominais, durando geralmente 24h para o intestino delgado, 24-48h para o estômago e 48-72h para o cólon. O íleo é considerado prolongado ou patológico quando persiste por mais de 3 a 5 dias, caracterizado por náuseas, vômitos, incapacidade de tolerar dieta oral e ausência de eliminação de flatos ou fezes.

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