USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 69 anos de idade, foi submetida à laparotomia exploradora para reconstrução de trânsito intestinal 6 meses após retossigmoidectomia com colostomia terminal devido à diverticulite aguda. No intraoperatório foi necessário realizar lise de aderências de intestino. O procedimento foi realizado sem intercorrências com duração de 6 horas e a paciente foi encaminhada para enfermaria. Desde o primeiro dia pós- operatório, estava deambulando. No terceiro dia pós- operatório, evoluiu com distensão abdominal e vômitos. Neste momento, foi realizada a passagem de sonda nasogástrica com saída de 900 mL. No sexto dia pós- operatório, manteve débito elevado pela sonda (> 1000 mL/dia). Ainda não evacuou e sem eliminação de gases. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, FC de 80 bpm e PA de 130x80 mmHg, hidratada, abdome com ferida de bom aspecto, distendido, ruídos diminuídos e pouca dor à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal. Dreno com débito seroso (média de 80 mL/dia).Exames laboratoriais:Hb: 10,1 g/dLHt: 31%Leucograma: 8.120/mm³Creatinina: 0,9 mg/dLUreia: 54 mg/dLPCR: 41 mg/L (prévio de dois dias atrás 81 mg/L)Assinale a principal hipótese diagnóstica para este caso.
Íleo paralítico pós-op: distensão, vômitos, SNG alto débito, RHA ↓, sem sinais irritação peritoneal após cirurgia abdominal.
O íleo paralítico pós-operatório é uma disfunção da motilidade intestinal comum após cirurgias abdominais, especialmente as prolongadas ou com manipulação extensa. Caracteriza-se por distensão, vômitos e ausência de eliminação de gases, sem sinais de obstrução mecânica ou irritação peritoneal.
O íleo paralítico pós-operatório é uma complicação comum, mas geralmente autolimitada, que afeta a motilidade intestinal após procedimentos cirúrgicos abdominais. Sua incidência varia conforme a extensão e o tipo da cirurgia, sendo mais frequente em laparotomias prolongadas e manipulação intestinal extensa, como no caso de lise de aderências e reconstrução de trânsito. É crucial para residentes reconhecerem seus sinais e sintomas para um manejo adequado e para diferenciar de outras causas de distensão abdominal pós-operatória. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória local e sistêmica à cirurgia, com liberação de mediadores que inibem a motilidade intestinal. O diagnóstico é clínico, baseado na história de cirurgia recente, distensão abdominal, vômitos, ausência de eliminação de gases e ruídos hidroaéreos diminuídos. Exames de imagem, como radiografia de abdome, podem mostrar alças dilatadas com níveis hidroaéreos, mas sem ponto de transição claro, auxiliando a descartar obstrução mecânica. O tratamento é primariamente de suporte, visando otimizar a recuperação da motilidade intestinal. Isso inclui manter o paciente em jejum, hidratação venosa, descompressão gástrica com sonda nasogástrica se necessário, e controle da dor. A deambulação precoce e a minimização do uso de opioides são estratégias importantes para acelerar a resolução do íleo. O prognóstico é geralmente bom, com resolução espontânea em poucos dias.
Os principais sinais incluem distensão abdominal, náuseas, vômitos, ausência de eliminação de gases e fezes, e ruídos hidroaéreos diminuídos ou ausentes ao exame físico.
O íleo paralítico cursa com dor difusa e sem sinais de irritação peritoneal, enquanto a obstrução mecânica pode apresentar dor mais localizada, cólicas intensas e, por vezes, sinais de peritonite ou isquemia.
A conduta é de suporte, incluindo jejum, hidratação venosa, descompressão gástrica com sonda nasogástrica se houver vômitos ou distensão significativa, e analgesia adequada. A deambulação precoce é incentivada.
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