HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022
Um paciente de 65 anos foi submetido a gastrectomia subtotal com reconstrução em Y de Roux. No segundo dia de pós-operatório, está um pouco prostrado e nauseado, queixando-se de dor à palpação na ferida operatória e no epigástrio. O abdome está distendido e timpânico e os ruídos hidroaéreos estão ausentes. FC: 90 bpm, FR: 26 irpm, PA: 120 × 60 mmHg, temperatura axilar de 37,5 °C. Diurese nas últimas 12 horas: 400 mL. A radiografia simples de abdômen, feita no leito, mostra distensão de alças intestinais, mais acentuada nos cólons. Laboratório: Leucócitos: 10.000/mm³ (Bastões: 2%, Eosinófilos: 0%, Linfócitos: 30%), Glicemia: 122 mg/dL, Creatinina: 1,2 mg/dL, Sódio: 140 mEq/L, Potássio: 4,5 mEq/L, Cloro: 100 mEq/L. Diante desses dados, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Íleo paralítico pós-operatório é comum em POD2 após cirurgia abdominal extensa, com distensão, náuseas e ausência de RHA.
O íleo paralítico pós-operatório é uma condição fisiológica esperada após grandes cirurgias abdominais, como a gastrectomia. Caracteriza-se por diminuição ou ausência da motilidade intestinal, levando a distensão abdominal, náuseas e vômitos, geralmente resolvendo-se espontaneamente em alguns dias.
O íleo paralítico pós-operatório é uma condição comum e esperada após cirurgias abdominais de grande porte, como a gastrectomia subtotal com reconstrução em Y de Roux. Sua incidência varia, mas é quase universal em algum grau, representando uma resposta fisiológica ao estresse cirúrgico, inflamação e uso de opioides, sendo crucial para residentes reconhecerem seus sinais e sintomas para evitar intervenções desnecessárias. A fisiopatologia envolve a inibição da motilidade intestinal por fatores como manipulação cirúrgica, inflamação local, liberação de mediadores inflamatórios, e efeitos de medicamentos (opioides, anestésicos). O diagnóstico é clínico, baseado em distensão abdominal, náuseas, vômitos e ausência de ruídos hidroaéreos, geralmente no segundo ou terceiro dia de pós-operatório. Exames complementares, como a radiografia simples de abdômen, podem mostrar alças dilatadas, mas são mais úteis para excluir outras complicações. O tratamento é primariamente de suporte, focando na hidratação adequada, controle da dor e, se necessário, descompressão gástrica com sonda nasogástrica. A mobilização precoce do paciente e a minimização do uso de opioides são estratégias importantes para acelerar a recuperação da função intestinal. É fundamental diferenciar o íleo paralítico de complicações mais graves, como obstrução mecânica ou deiscência de anastomose, que apresentariam sinais de toxicidade sistêmica, dor mais intensa e localizada, ou febre persistente e leucocitose progressiva.
Os sinais incluem distensão abdominal, náuseas, vômitos, dor abdominal difusa e ausência ou diminuição dos ruídos hidroaéreos. A radiografia pode mostrar alças dilatadas.
O íleo paralítico é funcional e difuso, sem ponto de obstrução. A obstrução mecânica geralmente tem um ponto focal, dor mais localizada, e pode ter ruídos hidroaéreos de luta ou em "sinos".
O manejo é de suporte, incluindo hidratação venosa, sonda nasogástrica para descompressão se houver vômitos intensos, analgesia adequada e mobilização precoce, se possível.
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