Íleo Paralítico Pós-Operatório: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 67 anos, submetido à hemicolectomia direita, devido à apendicite complicada. No terceiro dia de pós-operatório, apresentava quadro de distensão abdominal, vômitos esporádicos e fezes líquidas em pouca quantidade. A radiografia de abdome evidenciou distensão difusa de alças de delgado e cólon, além de níveis hidroaéreos. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Fístula intestinal
  2. B) Pseudo-obstrução
  3. C) Brida precoce
  4. D) Íleo metabólico

Pérola Clínica

Distensão abdominal, vômitos e níveis hidroaéreos no 3º PO após cirurgia abdominal → suspeitar de íleo paralítico/metabólico.

Resumo-Chave

O íleo paralítico pós-operatório (ou íleo metabólico) é uma causa comum de distensão abdominal e vômitos após cirurgias abdominais, especialmente as que manipulam o intestino. Caracteriza-se por hipomotilidade intestinal generalizada, com distensão de alças e níveis hidroaéreos difusos na radiografia, mas sem obstrução mecânica completa.

Contexto Educacional

O íleo paralítico pós-operatório, também conhecido como íleo metabólico, é uma complicação comum após cirurgias abdominais, especialmente aquelas que envolvem manipulação intestinal extensa. Caracteriza-se pela inibição temporária da motilidade intestinal, resultando em acúmulo de gases e líquidos nas alças intestinais. Sua fisiopatologia envolve fatores inflamatórios, neurais e humorais, exacerbados pelo estresse cirúrgico e uso de opioides. Clinicamente, o paciente apresenta distensão abdominal, náuseas, vômitos e dor abdominal difusa. A radiografia de abdome é um exame chave, evidenciando distensão difusa de alças de delgado e cólon, com múltiplos níveis hidroaéreos. É crucial diferenciar o íleo paralítico de uma obstrução mecânica, como uma brida precoce, que exige intervenção. A presença de ruídos hidroaéreos diminuídos ou ausentes e a ausência de um ponto de transição claro na imagem são sugestivos de íleo paralítico. O tratamento do íleo paralítico é primariamente de suporte, incluindo jejum, hidratação venosa, correção de distúrbios eletrolíticos e, se necessário, descompressão nasogástrica. A mobilização precoce do paciente e a minimização do uso de opioides podem acelerar a recuperação da motilidade intestinal. O prognóstico é geralmente bom, com resolução espontânea em poucos dias, mas a persistência pode levar a complicações como desidratação e desequilíbrio eletrolítico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do íleo paralítico pós-operatório?

Os principais sinais e sintomas incluem distensão abdominal, dor abdominal difusa, náuseas, vômitos, intolerância alimentar e ausência ou diminuição de ruídos hidroaéreos. Pode haver eliminação de pequenas quantidades de fezes líquidas ou gases.

Como a radiografia de abdome auxilia no diagnóstico do íleo paralítico?

A radiografia de abdome tipicamente mostra distensão difusa de alças de delgado e cólon, com múltiplos níveis hidroaéreos. Diferencia-se da obstrução mecânica por não apresentar um ponto de transição claro e por envolver o cólon, além do delgado.

Qual a diferença entre íleo paralítico e brida precoce?

O íleo paralítico é uma hipomotilidade generalizada sem obstrução mecânica, enquanto a brida precoce é uma obstrução mecânica causada por aderências. O íleo paralítico apresenta distensão difusa, enquanto a brida precoce causa distensão mais localizada e geralmente uma parada completa de eliminação de gases e fezes.

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