Íleo Paralítico Pediátrico: Diagnóstico e Manejo

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Criança de 5 anos, queixa-se de vômitos 3 vezes ao dia há 3 dias, acompanhados de diarreia aquosa de médio volume, 5 vezes ao dia. Hoje a mãe notou que a criança está apática, com dor abdominal e diminuição das evacuações. Não está se alimentando adequadamente. Exame físico: regular estado geral, descorado +/4+, febril, hidratado. Aparelho respiratório: sem alterações. Aparelho cardiovascular: 2 bulhas rítmicas normofonéticas sem sopros, FC: 130 bpm, PA: 90 x 50 mmHg, pulsos cheios, tempo de enchimento capilar> 2 segundos. Abdome: distensão abdominal, com dor à palpação difusa e ruídos hidroaéreos diminuídos. Exames laboratoriais: Na: 135 mEq/L, K: 2,9 mEq/L, Ca iônico: 1/2 mg/dl. Escala de alvarado modificada: 3. Qual a hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Constipação intestinal.
  2. B) Íleo paralítico.
  3. C) Apendicite aguda.
  4. D) Adenite mesentérica.

Pérola Clínica

Gastroenterite grave + distensão abdominal + ruídos hidroaéreos ↓ + TPC > 2s + hipocalemia → Íleo paralítico.

Resumo-Chave

O íleo paralítico em crianças pode ser uma complicação de gastroenterites graves, especialmente quando há desidratação significativa e distúrbios eletrolíticos como hipocalemia. A combinação de dor abdominal, distensão, diminuição dos ruídos hidroaéreos e sinais de má perfusão (TPC > 2s) é altamente sugestiva, e o escore de Alvarado baixo afasta apendicite.

Contexto Educacional

O íleo paralítico, ou íleo adinâmico, é uma condição caracterizada pela inibição da motilidade intestinal sem uma obstrução mecânica. Em pediatria, é frequentemente uma complicação de condições sistêmicas como gastroenterites graves com desidratação e desequilíbrios eletrolíticos, sepse, ou após cirurgias abdominais. A importância clínica reside na necessidade de reconhecimento precoce para evitar complicações como distensão abdominal progressiva, vômitos e risco de aspiração. A fisiopatologia envolve a disfunção da musculatura lisa intestinal, que pode ser desencadeada por inflamação, isquemia, distúrbios metabólicos (como hipocalemia e hiponatremia), e reflexos neurais inibitórios. Clinicamente, o paciente apresenta dor abdominal difusa, distensão, vômitos e, crucialmente, diminuição ou ausência de ruídos hidroaéreos. Sinais de desidratação e má perfusão, como tempo de enchimento capilar prolongado, são comuns em casos graves. O diagnóstico diferencial com apendicite aguda ou obstrução mecânica é fundamental. O tratamento do íleo paralítico é primariamente de suporte, focando na correção da causa subjacente. Isso inclui a reidratação intravenosa, correção dos distúrbios eletrolíticos (como a reposição de potássio), descompressão gástrica com sonda nasogástrica se houver vômitos persistentes ou distensão significativa, e manejo da dor. A alimentação oral é suspensa até a recuperação da motilidade intestinal. O prognóstico geralmente é bom com o tratamento adequado da condição primária.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de íleo paralítico em crianças?

As causas incluem gastroenterite grave com desidratação e distúrbios eletrolíticos (especialmente hipocalemia), sepse, peritonite, cirurgia abdominal recente, trauma e uso de certos medicamentos.

Como diferenciar íleo paralítico de obstrução intestinal mecânica em pediatria?

No íleo paralítico, os ruídos hidroaéreos estão diminuídos ou ausentes, e não há um ponto de obstrução mecânica. Na obstrução mecânica, os ruídos podem estar aumentados e em "luta" inicialmente, e há uma causa anatômica.

Qual a importância dos eletrólitos no desenvolvimento do íleo paralítico?

Distúrbios eletrolíticos, como a hipocalemia (potássio baixo), podem afetar a motilidade intestinal, levando à paralisia da musculatura lisa do intestino e ao desenvolvimento do íleo paralítico.

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