USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Homem de 38 anos, previamente hígido. Encontra-se em tratamento intensivo no CTI há duas semanas por queimadura de 3º grau (55% da superfície corporal). Há 02 dias com parada de eliminação de flatos e fezes. Ao exame físico, encontrava-se com estado geral regular, desidratado, porém hemodinamicamente estável. O exame do abdome chamava atenção pela distensão difusa e dor à palpação profunda, sem sinais de irritação peritonial. Os exames laboratoriais revelaram hipocalemia, insuficiência renal aguda e acidose metabólica com níveis elevados (limítrofes) de lactato. Os exames radiológicos demonstraram distensão difusa das alças intestinais sem um ponto evidente de obstrução. Qual a melhor conduta inicial frente ao quadro apresentado?
Íleo paralítico em paciente crítico (queimadura) → Descompressão SNG + Correção distúrbios eletrolíticos.
O quadro clínico e radiológico é compatível com íleo paralítico (adinâmico), uma complicação comum em pacientes gravemente enfermos, especialmente aqueles com grandes queimaduras. A conduta inicial é de suporte, visando a descompressão do trato gastrointestinal com sonda nasogástrica e a correção de fatores precipitantes, como a hipocalemia.
O íleo paralítico, ou adinâmico, é uma condição comum em pacientes gravemente enfermos, caracterizada pela disfunção da motilidade intestinal sem uma obstrução mecânica. Pacientes com grandes queimaduras, como o do caso, são particularmente suscetíveis devido à resposta inflamatória sistêmica, uso de opioides, distúrbios eletrolíticos e sepse. O diagnóstico é clínico, com distensão abdominal, parada de eliminação de flatos e fezes, e dor abdominal difusa sem sinais de irritação peritoneal. Exames de imagem, como a radiografia simples de abdome, mostram distensão difusa de alças, com níveis hidroaéreos, mas sem um ponto de obstrução. A conduta inicial é de suporte, focada na descompressão do trato gastrointestinal com sonda nasogástrica para aliviar os sintomas e prevenir complicações, e na correção de fatores precipitantes, como a hipocalemia e a insuficiência renal aguda. A monitorização e otimização do estado hemodinâmico e metabólico são cruciais para a recuperação da motilidade intestinal.
As causas comuns de íleo paralítico em pacientes críticos incluem sepse, trauma (especialmente queimaduras extensas), cirurgia abdominal, distúrbios eletrolíticos (como hipocalemia), uso de opioides e outras medicações, e isquemia mesentérica.
No íleo paralítico, há distensão difusa das alças intestinais sem um ponto de transição ou obstrução evidente nos exames de imagem, e a dor geralmente é menos localizada. Na obstrução mecânica, frequentemente há um ponto de transição e dor mais tipo cólica, com ruídos hidroaéreos aumentados no início e depois ausentes.
A sonda nasogástrica é fundamental para a descompressão do trato gastrointestinal, aliviando a distensão abdominal, reduzindo náuseas e vômitos, e prevenindo a aspiração pulmonar em pacientes com íleo paralítico.
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