UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015
Paciente de 65 anos, submetido à colectomia direita com íleo transverso anastomose, evolui em 3º PO com distensão abdominal, náuseas e vômitos. Ao exame físico, abdome segue distendido, dolorido difusamente à palpação profunda, ruídos hidroaéreos inaudíveis. O distúrbio hidroeletrolítico que mais provavelmente está relacionado ao quadro descrito é:
Íleo paralítico pós-operatório + vômitos → perda de potássio → Hipocalemia.
O íleo paralítico pós-operatório é uma complicação comum após cirurgias abdominais, especialmente as de grande porte. A distensão abdominal, náuseas, vômitos e ruídos hidroaéreos inaudíveis são sinais clássicos. Os vômitos prolongados e a perda de secreções gastrointestinais ricas em potássio, juntamente com o estresse cirúrgico e a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, levam frequentemente à hipocalemia, que por sua vez pode agravar o íleo.
O íleo paralítico pós-operatório, também conhecido como íleo adinâmico, é uma complicação comum após cirurgias abdominais, especialmente aquelas que envolvem manipulação intestinal extensa, como a colectomia. Caracteriza-se pela inibição transitória da motilidade gastrointestinal, resultando em distensão abdominal, náuseas, vômitos e ausência de eliminação de flatos e fezes. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória local, ativação do sistema nervoso simpático e liberação de mediadores inflamatórios. A presença de náuseas e vômitos prolongados no pós-operatório, associada à distensão abdominal e à perda de secreções gastrointestinais, leva a um desequilíbrio hidroeletrolítico significativo. Dentre os distúrbios, a hipocalemia (níveis baixos de potássio) é particularmente comum e clinicamente relevante. O potássio é perdido em grandes quantidades no suco gástrico e nas secreções intestinais. Além disso, o estresse cirúrgico e a resposta endócrina podem contribuir para a excreção renal de potássio. Para residentes, é crucial reconhecer os sinais de íleo paralítico e monitorar ativamente os eletrólitos, especialmente o potássio, no pós-operatório de cirurgias abdominais. A hipocalemia não apenas é uma consequência do íleo e dos vômitos, mas também pode perpetuar e agravar a paralisia intestinal, formando um ciclo vicioso. A correção precoce da hipocalemia é fundamental para a recuperação da motilidade intestinal e a prevenção de complicações mais graves.
Os principais sinais incluem distensão abdominal, náuseas, vômitos, dor abdominal difusa e ausência ou diminuição acentuada dos ruídos hidroaéreos ao exame físico.
A hipocalemia ocorre devido à perda de potássio nas secreções gastrointestinais pelos vômitos e pela retenção de fluidos no terceiro espaço. Além disso, o estresse cirúrgico e a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona contribuem para a excreção renal de potássio.
A hipocalemia pode agravar e prolongar o íleo paralítico, pois o potássio é essencial para a contração muscular lisa intestinal. Níveis baixos de potássio dificultam a repolarização das células musculares, prejudicando a motilidade intestinal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo