FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Puérpera com 22 anos de idade, no 3º dia de parto cesária, apresenta quadro de dor abdominal difusa, distensão abdominal e vômitos. Refere manter eliminação de flatos. Fez uso de analgésicos opioides em doses elevadas no pós- operatório. Realizada rotina radiológica de abdome agudo e tomografia computadorizada de abdome que evidenciaram distensão difusa do intestino delgado, com níveis hidroaéreos, sem evidência de obstrução mecânica. Qual o diagnóstico mais provável para esta paciente?
Íleo paralítico pós-cesárea + opioides → distensão abdominal e vômitos sem obstrução mecânica.
O íleo paralítico é uma disfunção da motilidade intestinal comum no pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais e uso de opioides. Caracteriza-se por distensão, dor e vômitos, mas com eliminação de flatos e ausência de obstrução mecânica nos exames de imagem.
O íleo paralítico, também conhecido como íleo adinâmico, é uma condição comum no pós-operatório de cirurgias abdominais, como a cesariana, caracterizada pela inibição temporária da motilidade intestinal. Sua incidência varia, mas é uma das principais causas de distensão abdominal e vômitos no período pós-operatório imediato, impactando a recuperação e o tempo de internação da paciente. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória à cirurgia, ativação do sistema nervoso simpático e o uso de medicamentos que afetam a motilidade, como os analgésicos opioides. O diagnóstico é clínico, com a tríade de dor, distensão e vômitos, e é confirmado por exames de imagem (radiografia e TC de abdome) que mostram distensão de alças sem um ponto de obstrução mecânica. A manutenção da eliminação de flatos é um dado importante para diferenciar de obstrução mecânica. O tratamento é primariamente de suporte, incluindo jejum, hidratação venosa, correção de distúrbios eletrolíticos e manejo da dor com analgésicos não opioides, se possível. A deambulação precoce e a minimização do uso de opioides são medidas preventivas e terapêuticas importantes. O prognóstico é geralmente bom, com resolução espontânea em poucos dias, mas a identificação precoce é crucial para evitar complicações.
Os sinais e sintomas incluem dor abdominal difusa, distensão abdominal, náuseas e vômitos. É característico que o paciente ainda possa eliminar flatos, diferenciando-o de uma obstrução mecânica completa.
A TC de abdome evidencia distensão difusa de alças intestinais, com níveis hidroaéreos, mas sem um ponto de transição ou evidência de obstrução mecânica, confirmando a natureza funcional do quadro.
Opioides são conhecidos por diminuir a motilidade gastrointestinal, prolongando o tempo de trânsito e contribuindo significativamente para o desenvolvimento do íleo paralítico no período pós-operatório.
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