Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Recém-nascido, termo, com 48 horas de vida é levado ao pronto-socorro. A sua gestação ocorreu sem intercorrências, o parto foi normal e o paciente não apresenta malformações associadas. O paciente evoluiu com distensão abdominal, ausência de emissão de mecônio e vômitos biliosos. Seu exame físico demonstra: abdome distendido de forma uniforme, ruídos hidroaéreos presentes e diminuídos, sem peristalse visível, sem massas palpáveis, sem visceromegalias, dor à palpação leve, provocando vômitos biliosos em pequena quantidade e ânus pérvio. O RX de abdome, realizado com o RN na posição vertical, demonstra: alças intestinais distendidas, sem nível hidroaéreo. O conteúdo intestinal tem aparência granular do tipo “vidro moído”, principalmente na região da fossa ilíaca direita. O clister opaco demonstra reto e cólon de tamanhos preservados, com falhas de preenchimento ao longo dos diversos segmentos do intestino grosso. Nesse caso, o diagnóstico provável é de
RN com distensão abdominal, vômitos biliosos, ausência de mecônio + RX 'vidro moído' + clister opaco com falhas de preenchimento → Íleo meconial.
O quadro clínico de obstrução intestinal neonatal (distensão abdominal, vômitos biliosos, ausência de mecônio) associado a um RX de abdome com aspecto de 'vidro moído' e clister opaco com falhas de preenchimento é altamente sugestivo de íleo meconial, frequentemente associado à fibrose cística.
O íleo meconial é uma forma de obstrução intestinal neonatal causada pelo acúmulo de mecônio anormalmente espesso e pegajoso no íleo terminal. É uma condição importante, pois é a manifestação inicial da fibrose cística em uma parcela significativa de recém-nascidos. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações graves e iniciar a investigação para fibrose cística. Clinicamente, o recém-nascido termo apresenta distensão abdominal, vômitos biliosos e ausência de eliminação de mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida. O exame físico pode revelar um abdome distendido e doloroso. O diagnóstico é fortemente sugerido por achados radiológicos: o raio-X de abdome pode mostrar alças intestinais distendidas, ausência de níveis hidroaéreos (devido à consistência do mecônio) e uma aparência granular ou de 'vidro moído' na fossa ilíaca direita, que é patognomônica do mecônio inspissado. O clister opaco pode confirmar a obstrução, revelando um microcólon (cólon de calibre reduzido por desuso) e falhas de preenchimento por rolhas de mecônio. O tratamento pode ser conservador, com enemas de contraste hidrossolúvel sob fluoroscopia para dissolver o mecônio, ou cirúrgico, em casos de falha do tratamento conservador ou complicações como perfuração. Após o diagnóstico de íleo meconial, é imperativo investigar a presença de fibrose cística, realizando o teste do suor e, se necessário, testes genéticos. A compreensão dessa condição é vital para pediatras e cirurgiões pediátricos, bem como para residentes que se preparam para lidar com emergências neonatais.
Os sinais clínicos incluem distensão abdominal progressiva, vômitos biliosos (esverdeados), ausência de eliminação de mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida e, por vezes, dor à palpação abdominal. O bebê pode apresentar-se letárgico e desidratado.
No RX de abdome, observa-se distensão de alças intestinais, sem níveis hidroaéreos evidentes, e um aspecto granular ou de 'vidro moído' na fossa ilíaca direita, devido ao mecônio espesso. O clister opaco pode mostrar um microcólon (cólon de calibre reduzido por desuso) e falhas de preenchimento por rolhas de mecônio.
O íleo meconial é a manifestação inicial da fibrose cística em aproximadamente 10-20% dos casos. A fibrose cística causa a produção de secreções exócrinas anormalmente espessas, incluindo o mecônio, que se torna tão viscoso que obstrui o intestino delgado terminal.
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