Íleo Biliar: Diagnóstico Radiológico e Manejo Clínico

HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 53 anos, admitido em pronto-socorro por vômitos há 3 dias, associado à dor abdominal importante, em cólicas, que vem se tornando progressiva. Nega febre. Queixa-se de hiporexia. Nega sintomas urinários. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, desidratado, discretamente taquicárdico, com exame físico cardiopulmonar normal. Ruídos reduzidos em todo o abdome, doloroso difusamente, distendido, sem sinais de irritação peritoneal. Foi submetido à radiografia abaixo, com achado pouco comum destacado pela seta. Hemograma com discreta leucocitose, função renal normal. Análise de exame de urina normal. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Volvo de sigmóide.
  2. B) Úlcera perfurada.
  3. C) Íleo Biliar.
  4. D) Ureterolitíase.

Pérola Clínica

Íleo Biliar = Obstrução intestinal por cálculo + Pneumobilia + Cálculo ectópico (Tríade de Rigler).

Resumo-Chave

O íleo biliar é uma causa rara de obstrução intestinal mecânica, geralmente em idosos, causada pela migração de um cálculo biliar para o intestino delgado através de uma fístula colecistoentérica. A tríade radiológica de Rigler (pneumobilia, cálculo biliar ectópico e sinais de obstrução intestinal) é patognomônica.

Contexto Educacional

O íleo biliar é uma complicação rara da colelitíase, caracterizada pela obstrução mecânica do intestino delgado por um cálculo biliar que migrou através de uma fístula colecistoentérica. Embora incomum, é uma causa importante de obstrução intestinal em pacientes idosos, com alta morbimortalidade se não diagnosticado e tratado precocemente. A fístula mais comum é a colecistoduodenal, permitindo que o cálculo passe da vesícula biliar para o duodeno e, subsequentemente, para o intestino delgado. Clinicamente, o paciente apresenta um quadro de obstrução intestinal aguda ou subaguda, com dor abdominal em cólica, vômitos e distensão. A história de colelitíase ou colecistite prévia é um fator de risco importante. O diagnóstico é frequentemente desafiador devido à inespecificidade dos sintomas e à raridade da condição. A radiografia simples de abdome é a primeira linha de investigação e pode revelar a clássica tríade de Rigler: pneumobilia (gás na árvore biliar), sinais de obstrução intestinal (alças dilatadas com níveis hidroaéreos) e a visualização do cálculo biliar ectópico. A tomografia computadorizada (TC) é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, localizar o ponto de obstrução e identificar a fístula. O tratamento do íleo biliar é cirúrgico e consiste na enterolitotomia (remoção do cálculo do intestino) e, em alguns casos, na correção da fístula e colecistectomia, embora esta última possa ser realizada em um segundo tempo cirúrgico devido ao estado inflamatório local e à fragilidade do paciente. O manejo pré-operatório inclui estabilização hemodinâmica, hidratação e correção de distúrbios eletrolíticos. O prognóstico depende do diagnóstico precoce e da condição clínica do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos que sugerem íleo biliar?

O íleo biliar geralmente se manifesta com sintomas de obstrução intestinal, como dor abdominal em cólica, vômitos biliares ou fecaloide, distensão abdominal e ausência de eliminação de gases e fezes. É mais comum em idosos com histórico de colelitíase.

Como o íleo biliar é diagnosticado por imagem?

A radiografia simples de abdome pode mostrar a tríade de Rigler: pneumobilia (gás na árvore biliar), sinais de obstrução intestinal (alças dilatadas com níveis hidroaéreos) e um cálculo biliar ectópico (geralmente no íleo). A tomografia computadorizada é o método mais sensível para confirmar o diagnóstico.

Qual a fisiopatologia do íleo biliar?

O íleo biliar ocorre quando um cálculo biliar grande erode a parede da vesícula biliar e forma uma fístula para o trato gastrointestinal (mais comumente duodeno ou jejuno). O cálculo migra pelo intestino e causa obstrução mecânica, geralmente no íleo terminal, que é a porção mais estreita do intestino delgado.

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