Íleo Biliar: Diagnóstico e Sinais Radiológicos Chave

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2020

Enunciado

Paciente 65 anos, etilista, procura pronto socorro com quadro de dor abdominal em cólicas, de início há 4 dias, progressiva e com piora há 1 dia, associada a vômitos, distensão abdominal, e parada de eliminação de flatos. Nega febre. Ao exame físico, apresentava-se em regular estado geral, desidratado, corado, anictérico, afebril. Sem alterações no aparelho cardiopulmonar, com ruídos hidroaéros reduzidos em todo o abdome, levemente distendido, sem sinais de peritonite porém com dor a palpação difusa. Sinal de Murphy negativo. Após medicado, o plantonista solicita radiografia de abdome agudo que evidencia níveis hidroaéreos em todo intestino delgado com aspecto de “empilhamento de moedas”, presença de ar na via biliar, associado a imagem radiopaca em íleo terminal. Baseado no caso acima, o PROVÁVEL diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Obstrução Intestinal por neoplasia de cólon.
  2. B) Obstrução Intestinal por doença diverticular complicada.
  3. C) Íleo Biliar.
  4. D) Úlcera gástrica perfurada bloqueada.

Pérola Clínica

Íleo biliar: obstrução intestinal + aerobilia + cálculo ectópico em íleo terminal.

Resumo-Chave

O íleo biliar é uma causa rara de obstrução intestinal mecânica, geralmente em idosos, causada pela migração de um cálculo biliar para o intestino delgado através de uma fístula colecistoentérica. A tríade clássica radiológica inclui sinais de obstrução intestinal, aerobilia e um cálculo biliar ectópico.

Contexto Educacional

O íleo biliar é uma condição incomum, mas importante, de obstrução intestinal mecânica, que afeta predominantemente pacientes idosos, especialmente mulheres. Representa uma complicação rara da colelitíase crônica, sendo crucial para o residente reconhecer seus achados característicos para um diagnóstico e manejo adequados. A alta mortalidade associada à condição, se não tratada prontamente, ressalta a importância do reconhecimento precoce. A fisiopatologia envolve a formação de uma fístula colecistoentérica, geralmente entre a vesícula biliar e o duodeno, permitindo a passagem de um cálculo biliar grande para o lúmen intestinal. Este cálculo, ao progredir, impacta-se mais frequentemente no íleo terminal, causando a obstrução. O diagnóstico é fortemente sugerido pela tríade de Rigler na radiografia simples de abdome: sinais de obstrução intestinal, aerobilia e a visualização do cálculo biliar ectópico. A tomografia computadorizada é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico e localizar a fístula. O tratamento do íleo biliar é cirúrgico, visando a remoção do cálculo obstrutivo (enterolitotomia) e, em alguns casos, a correção da fístula e colecistectomia, embora esta última possa ser adiada para um segundo momento. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção cirúrgica, sendo a morbimortalidade maior em pacientes com comorbidades e diagnóstico tardio.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais radiológicos clássicos do íleo biliar?

Os sinais radiológicos clássicos do íleo biliar incluem sinais de obstrução de intestino delgado (como níveis hidroaéreos e 'empilhamento de moedas'), aerobilia (ar na via biliar) e a visualização de um cálculo biliar ectópico, geralmente no íleo terminal.

Qual a fisiopatologia do íleo biliar?

O íleo biliar ocorre quando um cálculo biliar grande erode a parede da vesícula biliar e forma uma fístula com o trato gastrointestinal, mais comumente com o duodeno. O cálculo migra então pelo intestino, causando obstrução, geralmente no íleo terminal, que é a porção mais estreita.

Como diferenciar íleo biliar de outras causas de obstrução intestinal?

A diferenciação se baseia na presença da tríade radiológica (obstrução, aerobilia e cálculo ectópico), que é patognomônica do íleo biliar. Outras causas de obstrução, como bridas ou neoplasias, não apresentam aerobilia ou cálculo biliar no intestino.

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