Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2022
Paciente 65 anos, etilista, procura pronto socorro com quadro de dor abdominal em cólicas, de início há 4 dias, progressiva e com piora há 1 dia, associada a vômitos, distensão abdominal, e parada de eliminação de flatos. Nega febre. Ao exame físico, apresentava-se em regular estado geral, desidratado, corado, anictérico, afebril. Sem alterações no aparelho cardiopulmonar, com ruídos hidroaéros reduzidos em todo o abdome, levemente distendido, sem sinais de peritonite, porém com dor a palpação difusa. Sinal de Murphy negativo. Após medicado, o plantonista solicita radiografia de abdome agudo que evidencia níveis hidroaéreos em todo intestino delgado com aspecto de “empilhamento de moedas”, presença de ar na via biliar, associado a imagem radiopaca em íleo terminal. Baseado no caso acima, o provável diagnóstico é:
Íleo biliar = Obstrução intestinal por cálculo biliar + pneumobilia + cálculo ectópico.
O íleo biliar é uma causa rara de obstrução intestinal mecânica, geralmente em idosos, causada pela migração de um cálculo biliar grande para o intestino delgado através de uma fístula colecistoentérica. A tríade de Rigler (pneumobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico) é patognomônica.
O íleo biliar é uma complicação rara da colelitíase, caracterizada pela obstrução mecânica do intestino delgado por um cálculo biliar que migrou para o lúmen intestinal. Geralmente afeta pacientes idosos, com histórico de doença biliar crônica. A fisiopatologia envolve a formação de uma fístula colecistoentérica (mais comumente colecistoduodenal) devido à inflamação e erosão da parede da vesícula biliar por um cálculo grande, permitindo sua passagem para o trato gastrointestinal. Os sintomas são os de obstrução intestinal: dor abdominal em cólica, náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e gases. O diagnóstico é frequentemente desafiador devido à inespecificidade dos sintomas e à idade avançada dos pacientes. A radiografia de abdome agudo é crucial e pode revelar a tríade de Rigler: pneumobilia (ar na via biliar), sinais de obstrução intestinal (níveis hidroaéreos, distensão de alças) e a visualização de um cálculo biliar ectópico, geralmente impactado no íleo terminal. O tratamento do íleo biliar é cirúrgico, com enterolitotomia para remover o cálculo obstrutivo. Em alguns casos, pode ser necessária a colecistectomia e o fechamento da fístula, embora isso possa ser adiado para um segundo momento devido ao estado clínico do paciente. O prognóstico depende do diagnóstico precoce e da intervenção cirúrgica oportuna.
Os achados clássicos na radiografia de abdome agudo que sugerem íleo biliar são a tríade de Rigler: pneumobilia (ar na via biliar), sinais de obstrução intestinal (níveis hidroaéreos, distensão de alças) e a visualização de um cálculo biliar ectópico, geralmente no íleo terminal.
No íleo biliar, um cálculo biliar grande erode a parede da vesícula biliar e forma uma fístula (geralmente colecistoentérica) com o intestino delgado. O cálculo migra através dessa fístula e causa obstrução mecânica, mais comumente no íleo terminal, que é a porção mais estreita do intestino delgado.
O íleo biliar é mais comum em pacientes idosos, especialmente mulheres, com histórico de colelitíase crônica. A condição é rara e pode ser desafiadora de diagnosticar devido à apresentação inespecífica e à idade avançada dos pacientes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo