SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
São achados da tríade de Rigler no Íleo Biliar:
Aerobilia + Cálculo ectópico + Distensão de alças = Tríade de Rigler (Íleo Biliar).
O íleo biliar é uma complicação rara da colelitíase onde um cálculo passa por uma fístula colecistoentérica, causando obstrução mecânica, classicamente no íleo terminal.
O íleo biliar representa cerca de 1% a 4% das causas de obstrução intestinal mecânica, sendo mais prevalente em idosos e mulheres. O diagnóstico é frequentemente tardio devido à natureza intermitente dos sintomas (sinal de 'tumbling'), onde o cálculo obstrui e desobstrui temporariamente o lúmen intestinal. A identificação da Tríade de Rigler em exames de imagem é patognomônica. Embora a radiografia simples possa sugerir o diagnóstico, a Tomografia Computadorizada (TC) de abdome é o padrão-ouro, apresentando maior sensibilidade para detectar o cálculo ectópico e a localização exata da fístula, auxiliando no planejamento cirúrgico.
A Tríade de Rigler é composta por três achados radiológicos clássicos observados na radiografia simples de abdome ou tomografia computadorizada em pacientes com íleo biliar: 1) Sinais de obstrução do intestino delgado (distensão de alças com níveis hidroaéreos); 2) Aerobilia (presença de ar na árvore biliar, indicando fístula entre a vesícula e o trato digestivo); e 3) Visualização de um cálculo biliar radiopaco em localização ectópica (geralmente na fossa ilíaca direita).
O íleo biliar ocorre devido a episódios repetidos de colecistite que geram aderências entre a vesícula biliar e o duodeno (mais comum), cólon ou estômago. A inflamação crônica leva à formação de uma fístula colecistoentérica, permitindo que cálculos biliares de grande diâmetro migrem para o lúmen intestinal. O cálculo progride até encontrar uma zona de estreitamento, tipicamente a válvula ileocecal, causando obstrução mecânica.
O tratamento é essencialmente cirúrgico e foca na resolução da obstrução intestinal. A técnica mais comum é a enterolitotomia, que consiste na abertura da alça intestinal proximal ao cálculo para sua remoção. A colecistectomia e o fechamento da fístula podem ser realizados no mesmo tempo cirúrgico ou em um segundo momento, dependendo da estabilidade hemodinâmica e das condições inflamatórias locais do paciente.
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