Íleo Biliar: Diagnóstico por Imagem e Tríade de Rigler

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente feminina, 73 anos, com antecedente de colelitíase, refere no pronto-socorro dor abdominal intensa em flanco inferior esquerdo, vômitos e inapetência há 4 dias. Seguem imagens da tomografia abdominal. O diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Íleo biliar.
  2. B) Obstrução intestinal por neoplasia de cólon direito.
  3. C) Apendicite complicada com abscesso pericecal.
  4. D) Neoplasia de apêndice.
  5. E) Doença de Crohn com estenose ileocecal.

Pérola Clínica

Tríade de Rigler (Aerobilia + Obstrução + Cálculo ectópico) = Íleo Biliar.

Resumo-Chave

O íleo biliar é uma causa rara de obstrução mecânica em idosos, resultante de uma fístula colecistoentérica que permite a migração de um grande cálculo para o lúmen intestinal.

Contexto Educacional

O íleo biliar é uma complicação tardia e incomum da colelitíase, ocorrendo em menos de 0,5% dos pacientes com cálculos biliares, mas respondendo por até 25% das obstruções de delgado em pacientes acima de 65 anos. O quadro clínico costuma ser insidioso, com dor abdominal intermitente (sinal de 'tumbling' do cálculo). A tomografia computadorizada é o exame de escolha pela alta sensibilidade em detectar os componentes da Tríade de Rigler.

Perguntas Frequentes

O que compõe a Tríade de Rigler?

A Tríade de Rigler é o achado radiológico clássico do íleo biliar, composto por: 1) Sinais de obstrução do intestino delgado (distensão de alças com níveis hidroaéreos); 2) Aerobilia (presença de ar na árvore biliar, indicando comunicação anômala com o trato digestivo); 3) Cálculo biliar radiopaco em localização ectópica (geralmente na fossa ilíaca direita).

Onde ocorre mais frequentemente a obstrução no íleo biliar?

A obstrução ocorre mais comumente no íleo terminal, próximo à válvula ileocecal, que é o segmento mais estreito do intestino delgado. Outros locais possíveis, embora menos frequentes, incluem o duodeno (causando a Síndrome de Bouveret), o jejuno ou até o cólon (se houver uma fístula colecistocólica).

Qual é a fisiopatologia da fístula no íleo biliar?

A fístula colecistoentérica (mais comumente colecistoduodenal) resulta de episódios repetidos de colecistite aguda. A inflamação crônica causa aderências entre a vesícula biliar e o órgão adjacente; a pressão de um grande cálculo causa isquemia da parede e erosão, criando o trajeto fistuloso por onde o cálculo migra.

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