Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Paciente feminina, 73 anos, com antecedente de colelitíase, refere no pronto-socorro dor abdominal intensa em flanco inferior esquerdo, vômitos e inapetência há 4 dias. Seguem imagens da tomografia abdominal. O diagnóstico é:
Tríade de Rigler (Aerobilia + Obstrução + Cálculo ectópico) = Íleo Biliar.
O íleo biliar é uma causa rara de obstrução mecânica em idosos, resultante de uma fístula colecistoentérica que permite a migração de um grande cálculo para o lúmen intestinal.
O íleo biliar é uma complicação tardia e incomum da colelitíase, ocorrendo em menos de 0,5% dos pacientes com cálculos biliares, mas respondendo por até 25% das obstruções de delgado em pacientes acima de 65 anos. O quadro clínico costuma ser insidioso, com dor abdominal intermitente (sinal de 'tumbling' do cálculo). A tomografia computadorizada é o exame de escolha pela alta sensibilidade em detectar os componentes da Tríade de Rigler.
A Tríade de Rigler é o achado radiológico clássico do íleo biliar, composto por: 1) Sinais de obstrução do intestino delgado (distensão de alças com níveis hidroaéreos); 2) Aerobilia (presença de ar na árvore biliar, indicando comunicação anômala com o trato digestivo); 3) Cálculo biliar radiopaco em localização ectópica (geralmente na fossa ilíaca direita).
A obstrução ocorre mais comumente no íleo terminal, próximo à válvula ileocecal, que é o segmento mais estreito do intestino delgado. Outros locais possíveis, embora menos frequentes, incluem o duodeno (causando a Síndrome de Bouveret), o jejuno ou até o cólon (se houver uma fístula colecistocólica).
A fístula colecistoentérica (mais comumente colecistoduodenal) resulta de episódios repetidos de colecistite aguda. A inflamação crônica causa aderências entre a vesícula biliar e o órgão adjacente; a pressão de um grande cálculo causa isquemia da parede e erosão, criando o trajeto fistuloso por onde o cálculo migra.
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